Sinopse Suma: Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo. Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte. (Resenha: A Metade Sombria – Stephen King)

Opinião: Misto do mito do doppelgänger com traços autobiográficos, A Metade Sombria faz parte daquela fascinante produção literária de Stephen King nos anos 1980. São obras que conseguem arrancar pequenos arrepios de pavor a partir de cenas corriqueiras ou comuns até demais, mas que contém um elementozinho-chave para fazer gelar os ossos.

Investigando os limites entre realidade e ficção a partir do duplo, a criatura capaz de ganhar vida e assumir praticamente tudo de uma pessoa real, exceto o lado emocional, A Metade Sombria traz George Stark, um dos grandes personagens criados por King. Stark é um pseudônimo que se torna real quando seu criador decide matá-lo. Logicamente, George Stark não é nenhum Nicholas Sparks com historinhas melosas. Ele não é um cara muito legal e seus livros vertiam sangue e horror. Ao ganhar vida, Stark deixa uma carnificina por onde passa com sequências diabólicas de mortes em cenas memoráveis. Seu objetivo? Voltar às prateleiras. Deixar de ser um pseudônimo.

Do outro lado da história, o lado real, se vocês preferirem, temos o criador. Thad Beaumont é um escritor medíocre. Seus livros não fazem metade do sucesso do seu alter ego. Disposto a iniciar uma nova fase de sua vida, ao lado da esposa e dos filhos gêmeos, ele quer deixar pra trás, também, a personalidade que assumia ao se tornar George Stark. Fichas na mesa, façam suas apostas para o embate entre duas pessoas que no fundo são uma só. Há limites entre um e outro?

Embora bastante explorado na literatura, o duplo em A Metade Sombria ganha contornos interessantes se pensarmos que Stephen King tem seu pseudônimo cruel, tal qual Stark, em Richard Bachman. Enquanto King nos oferece histórias que, apesar do horror, oferecem uma porta aberta para escape, Bachman é sádico e desconhece finais felizes. Em certos aspectos, a relação entre Thad Beaumont e George Stark parece ser um acerto de contas de King com Bachman, ainda mais se levarmos em consideração a atribulada vida pessoal que o mestre do horror levava nesse período.

O terror em A Metade Sombria flerta com o drama para criar um excelente suspense. Para além de todo o rastro de sangue deixado pelo pseudônimo em fúria, existe uma ligação muito forte com o criador que aos poucos faz com que um quase se funda novamente com o outro. Com isso, a obra consegue criar um clima de dúvida nos leitores sobre quão inocente poderia ser Thad em toda essa história. A ambientação de King, exemplar como sempre, oferece toda a atmosfera necessária para nos entregarmos a uma leitura sem pausas. Há excesso de detalhes que só colaboram para enriquecer nossa experiência com os personagens. Grandes protagonistas da obra, as nuances de cada um nos aproximam e permitem um verdadeiro mergulho na loucura que é a história.

Há um meio consenso entre fãs, não compartilhado por mim, de que Stephen King não sabe dar bons finais para seus livros. Divergências de opiniões à parte, se o fim de A Metade Sombria é burocrático de coretinho demais, o mesmo não se pode dizer do caminho percorrido para chegar até ele. Ação, terror, mortes e embates pessoais jorram das páginas de forma vertiginosa. E um destaque mais que especial para as sequências de abertura do livro, principalmente nosso Thad ainda jovem sofrendo com suas dores de cabeça. Arrepiantes na medida certa.

Ambientado em Castle Rock, a cidade dos sonhos em que todos desejamos morar (Amém?), A Metade Sombria me faz perguntar o quanto cada um de nós tem de George Stark guardadinho lá no fundo de nossa mente, corpo, alma, como queiram chamar. Seria o pseudônimo uma criatura diabólica insatisfeita com seu fim ou seria ele apenas uma faceta que Thad jamais poderia exibir para a sociedade? Divirtam-se e boa leitura!

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O Autor: Stephen King nasceu em 1947 em Bangor, no Maine. É autor de mais de cinquenta best-sellers no mundo inteiro e mais de 200 contos, sendo reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros já venderam mais de 400 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema. É o nono autor mais traduzido no mundo.

Stephen King recebeu em 2003 a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation; em 2007 foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos; e em 2015 recebeu do presidente Barack Obama a National Medal of Arts por “sua combinação de narrativa notável e análise precisa da natureza humana, com trabalhos de terror, suspense, ficção científica e fantasia que, por décadas, assustaram e encantaram públicos de todo o mundo”.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

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