Sinopse Record: O corpo de uma jovem é encontrado no fundo do gélido lago Grant, e um bilhete deixado sob uma pedra à sua margem sugere que ela tirou a própria vida. Mas, em questão de minutos, fica claro que aquilo não foi suicídio. Trata-se de um assassinato brutal, cometido a sangue-frio. Sara Linton, ex-médica legista do condado de Grant, hospedada na casa dos pais para passar o feriado de Ação de Graças, vê-se envolvida no caso quando o principal suspeito pede desesperadamente para falar com ela. Porém, quando ela chega à delegacia local, depara-se com uma tenebrosa cena na cela do prisioneiro: ele está morto, e as palavras “Não eu” foram rabiscadas na parede. Algo na confissão dele não faz sentido, então Sara convoca o Georgia Bureau of Investigation. Imediatamente, o agente especial Will Trent interrompe suas férias para se unir à equipe de investigação. No entanto, o que ele encontra é apenas uma muralha de silêncio no condado de Grant, uma comunidade extremamente unida, cujos habitantes possuem elos profundos. E a única pessoa que poderia contar a verdade sobre o que realmente aconteceu está morta. (Resenha: Destroçados – Karin Slaughter)

Opinião: Destroçados é o quarto livro protagonizado pelo investigador Will Trent e foi meu primeiro contato com a obra de Karin Slaughter. Uma daquelas estreias em leitura para fã de suspense nenhum botar defeito. Ah, e já aviso que mesmo ficando claro que diversas referências feitas na história vinham das obras anteriores, em nenhum momento o entendimento foi prejudicado, pelo contrário, só serviu para elevar a curiosidade por mais livros da autora.

Seguindo aquela linha tradicional que nós amamos, a obra já começa com uma morte cercada de suspeitas e que vai evoluir para uma investigação cujos segredos estão guardados nos lugares mais improváveis. Mas calma lá! Apesar de parecer uma obra de suspense como outra qualquer, a forma como Karin Slaughter conduz sua narrativa segue uma linha completamente diferente. Aqui não existem pistas claras que nos levem a suspeitar de ninguém. Não há uma caçada “gato e rato” e sim uma trama que envolve o leitor na rotina de um grupo policial. A inteligência de investigação criminal se sobrepõe à figura de um único investigador.

Paralela à construção do mistério a ser desvendado, Destroçados traz uma característica fantástica que é a desconstrução da investigação previamente feita sobre a morte em questão. Ou seja, inicialmente acompanhamos Will Trent desmontando peça a peça aquilo que a polícia local havia definido como a solução do caso. Essa sequência, pra mim, foi das mais interessantes em obras do gênero justamente por trazer um mistério resolvido por um grupo X de personagens e em seguida refutar a linha de raciocínio seguida, expondo erros e desatenções.

As qualidades narrativas da obra não param nisso. Para além do mistério em torno da jovem morta, há histórias em jogo no livro que ultrapassam sua trama principal. Os principais personagens trazem consigo dramas pessoais, herança de livros anteriores, que conferem uma carga humana de veracidade incrível. Não existem heróis entre legistas e investigadores e nem sempre suas motivações são as mais nobres possíveis. As fraquezas humanas estão bem exploradas e comportamentos como das personagens Sara Linton, Lena Adams e Frank Wallace passam longe do que estamos acostumados em outros livros do gênero. Por outro lado, Will Trent, investigador-protagonista, não é infalível e tem limitações como qualquer um de nós. Em resumo, Destroçados (e consequentemente as demais obras da autora, imagino eu) possui uma galeria de personagens das mais bem construídas que já vi no suspense.

A solução do caso é correta e se encerra redondinha, sem lacunas. Fica claro que o mais importante aqui, para a autora, era narrar uma história mostrando como a inteligência policial atuou, de forma correta ou não, na investigação. Surpresas não fazem parte do repertório, o que não significa frustração aos leitores, pelo contrário, garanto que após a última página, certamente vocês vão querer partir em busca das demais obras. Aos interessados em ler pela ordem de publicação, os livros são: Tríptico, Fissura, Gênese e Destroçados. Boa leitura! =)

Avaliação: 5 Estrelas

A Autora: Karin Slaughter é uma autora de livros policiais, que estreou com o seu romance Cega em 2001. Publicado em quase 30 idiomas, tornou-se um sucesso internacional e entrou para o Dagger Award como “Melhor Thriller Debut “de 2001. Slaughter nasceu em uma pequena comunidade ao sul da Geórgia, e agora reside em Atlanta.

4 COMENTÁRIOS

  1. Gosto muito da Karin Slaughter, gosto muito da série do Will Trent, estou começando o Esposa Perfeita.

    Primeiro, apesar de não afetar muito não ler na ordem, recomendo muito ler a série na ordem, é bem melhor para o entendimento de certas coisas.

    Destroçados é bom, mas não é o melhor dela da série. Vale a pena ler todos.

    • Alan, já coloquei na lista, e em ordem de publicação, os livros dela… pretendo embarcar neles assim que possível. Uma pena a série do Will Trent estar saindo fora de ordem ne?

        • Andrea, “Destroçados” é o livro quatro da série protagonizada pelo Will Trent. Na ordem temos: Tríptico, Fissura, Gênese e Destroçados (lançados pela Record), Fallen, Criminal e Unseen (inéditos no Brasil ainda) e Esposa Perfeita (lançado pela HarperCollins).

          Ou seja, a Harper furou a sequência da Record ao lançar o livro 8 antes de termos os livros 5,6 e 7, que devem chegar em breve, só não sabemos por qual editora ainda.

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