Sinopse Record: Um assassino cruel e frio está aterrorizando Atlanta. Atacando jovens, velhos, ricos ou pobres, nos subúrbios chiques ou nos conjuntos habitacionais, ele parece não ter nenhuma fronteira. Os detetives que investigam o caso talvez precisem não ter barreiras também para encontrá-lo. Entre eles está o veterano detetive Michael Ormewood – cujo casamento está por um fio e cuja arrogância está ameaçando sua carreira – e Angie Polaski, uma linda policial de narcóticos, que foi amante de Michael antes de se tornar sua maior inimiga. Para surpresa de ambos, a chave para resolver o caso pode estar nas mãos de um ex-condenado, que se depara com o rastro do assassino. (Resenha: Tríptico – Karin Slaughter)

Opinião: Tríptico é o livro de estreia do investigador Will Trent, personagem que já protagoniza mais de oito livros. Mesmo que as obras não precisem necessariamente serem lidas na ordem de publicação – eu mesmo tive meu primeiro contato com Karin Slaughter com Destroçados, é evidente que este primeiro livro descortina algumas informações bem interessantes que moldam a personalidade do protagonista.

Tríptico não foge à ordem tradicional da narrativa do suspense, mantendo-se fiel ao enredo com um assassino, aparentemente em série, e um grupo policial em seu encalço. No caso desta obra, diferente do que informa a sinopse, temos um assassino focado em jovens mulheres do subúrbio com métodos peculiares e cruéis de despachar suas vítimas. Ao mesmo tempo, é narrada a história de um acusado de pedofilia e sua saga por se encaixar na sociedade ao conseguir a liberdade condicional.

As duas primeiras partes de Tríptico se arrastam na construção do mistério em torno dos assassinatos e da vida em liberdade do ex-presidiário. Embora sejam interessantes para situar o leitor, elas não fisgam a atenção e ficam perigosamente naquela linha tênue que pode fazer alguém desistir de continuar a leitura. Vencida essa parte, Karin surpreende com uma reviravolta curiosa ao revelar quem é o assassino. E é aí que a trama ganha um rumo e um ritmo que aguça nossa curiosidade para saber como tudo vai se desenrolar desse ponto em diante. Afinal, ainda falta mais ou menos 50% de livro pela frente.

O suspense em Tríptico acaba centrado em como a polícia, tendo Will Trent à frente, vai conseguir chegar ao assassino e quais as explicações vão ser dadas para motivação dos crimes. Francamente, isso não empolga. Em resumo, tudo evolui de forma muito automática, dando aquela sensação de que a história não foi tão bem pensada ou que faltaram alguns elementos que dessem um pouco mais de ação.

O talento narrativo de Karin Slaughter é, de longe, a maior qualidade da obra. O detalhamento com que toda a história foi construída, e explicada, não dá margens para dúvidas ou lacunas. A autora sabia muito bem os meandros legais, médicos e policiais necessários para dar o tom de veracidade para o livro. Em outro aspecto, a construção dos personagens é um destaque à parte. Will Trent, ainda de forma tímida por ser sua estreia, começa a ser moldado em sua personalidade humana, falível, mas com os primeiros toques de inteligência que farão a diferença em casos posteriores. Os demais personagens, principais ou secundários, trazem, todos, níveis de construção cuidadosos. Passado, núcleo familiar, meio social em que estavam inseridos…. Tudo é minuciosamente pensado e apresentado aos leitores.

Se pelo lado do thriller, Tríptico não envolve a ponto de ser devorado, no lado da qualidade de criação, o livro não deixa a desejar e certamente vai agradar aos leitores mais ligados nessas características. Como obra de estreia de um personagem que aos poucos vai se envolver com casos mais difíceis, percebemos que Karin Slaughter lançou as bases para a construção de uma série. É uma obra que vale ser lida como parte, inicial, de uma história maior que tem qualidade de sobra. Aos interessados em ler pela ordem de publicação, os livros são: Tríptico, Fissura, Gênese e Destroçados. Boa leitura! =)

Avaliação:

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Destroçados (#Will Trent 4)

A Autora: Karin Slaughter é uma autora de livros policiais, que estreou com o seu romance Cega em 2001. Publicado em quase 30 idiomas, tornou-se um sucesso internacional e entrou para o Dagger Award como “Melhor Thriller Debut “de 2001. Slaughter nasceu em uma pequena comunidade ao sul da Geórgia, e agora reside em Atlanta.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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