Sinopse Record: Cassi, uma patologista residente e o brilhante cirurgião cardíaco Thomas Kingsley formam o par ideal, foram feitos um para o outro. Será, mesmo? A história começa com a união dos dois, ela necessitando do apoio nas horas difíceis, agora que terá de mudar de especialidade médica por causa de um problema de visão, e ele da devoção que ela nutre por ele e que todo o seu egocentrismo precisa, urgentemente. Mas o seu castelo começa a ruir quando Thomas, à medida que sua carreira começa a deslanchar, demonstra ter duas personalidades: adorável para o público que o venera e idolatra, e temperamental, excêntrico e insensível com a mulher que o ama. (Resenha: Médico ou Semideus – Robin Cook)

Opinião: Embora não seja da área médica, acredito que um dos grandes dilemas pelos quais um hospital-escola possa passar seja o de decidir quais as prioridades para tratamento em casos graves ou de cirurgias. Quando seu atendimento médico também se mistura ao aprendizado e ao avanço da ciência e suas vagas em leitos ou capacidade de procedimentos é limitada, como agir? Como decidir quem merece mais atenção ou quem pode esperar mais um dia ou dias? Pessoas ativas na sociedade precisam de mais atenção ou devem ter prioridade numa cirurgia em detrimento de idosos ou pacientes com transtornos que os impeçam de ter uma vida “normal”?

Mestre do suspense médico, Robin Cook se embrenhou pela complicada área das decisões que passam longe das salas de atendimento dos hospitais e se concentram nos gabinetes de gerência. Médico ou Semideus, publicado em 1983, mergulha no submundo de um hospital em que alguém decidiu ser o fiel da balança decidindo quais pacientes merecem viver e quais precisam sair de cena para abertura de vaga em leitos. Uma história que, pelo talento do autor, tinha tudo para ser eletrizante, mas que se mostra um fiasco a cada novo capítulo.

Abusando da lentidão da narrativa, Cook está irreconhecível neste livro. O suspense, se é que podemos dizer que existe um, não chega a se construir e é claramente desfeito já nos primeiros capítulos. Não há reviravoltas e nenhum clima de tensão no ar. Tudo se desenrola de forma muito previsível e até o desfecho, sempre um dos pontos mais fodas na obra do autor, deixa a desejar. Um dos maiores desafios para quem se aventurar por este livro será terminar a leitura. As chances de abandono aos primeiros sinais arrastados da história são muito grandes.

Mas se por um lado tudo aquilo que esperamos de um bom suspense vindo de um autor já consagrado não aparece nas páginas de Médico ou Semideus, por outro, podemos dizer que Robin Cook parecia estar mais preocupado em lançar alertas para a sociedade médica. Dois questionamentos constituem a base da história: cabe a um médico decidir quem merece sobreviver? Quando a sua rotina de trabalho é cada vez maior, é legal abusar de drogas estimulantes, mesmo que isso coloque em risco sua capacidade de atenção? Ao ir fundo nas questões éticas da profissão, Cook constrói uma história excepcional com personagens envolvidos em um drama profundo e bem próximo da realidade. Infelizmente tudo isso se perde pela forma como o livro foi escrito.

Aos fãs do autor, peguem esse livro deixando de lado tudo que vocês se acostumaram a ler dele. A pegada aqui é outra e pode decepcionar. E quem não conhece o universo do suspense médico, este livro não é a melhor porta de entrada para o gênero.

PS: Assim como a maioria das obras de Robin Cook, Médico ou Semideus também se encontra fora de catálogo no Brasil, sendo necessário um bom garimpo por sebos para encontrá-lo. Os últimos três livros lançados dele vieram como um novo e atraente desenho gráfico, mostrando que a Record ainda se preocupa com a qualidade de sua obra. Fica um pedido para a editora pensar com carinho em reeditar alguns desses livros em nova tradução.

Avaliação: 2 Estrelas

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Febre

Cérebro

O Autor: Robin Cook médico e escritor, Robin Cook é largamente creditado como o introdutor do termo ‘médico’ como um gênero literário. Por isso, 20 anos depois do lançamento de seu primeiro livro, “Coma”, ele continua a dominar a categoria que ele mesmo criou. Cook combinou com sucesso fatos médicos com fantasia para produzir uma sucessão de best-sellers do The New York Times.

Em cada uma de suas obras, Robin Cook busca escrever sobre os bastidores da prática médica atual. Explorou, entre outras coisas, a doação de órgãos, engenharia genética, a fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas e transplantes de órgãos, entre outros.

Em cada uma de suas obras, Robin Cook busca escrever sobre os bastidores da prática médica atual. Explorou, entre outras coisas, a doação de órgãos, engenharia genética, a fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas e transplantes de órgãos, entre outros.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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