Sinopse Record: Adam Schonberg, prestes a se formar em medicina, amava a mulher. Por isso aceitou um emprego na Arolen, gigantesco fabricante de produtos farmacêuticos, para ganhar o suficiente para manter o filho que esperavam. Sua mulher, Jennifer, estava certa de que teria o melhor atendimento na Clínica Julian; à medida que sua gravidez progredia, cada vez mais a sua confiança nos médicos da Clínica. Parecia uma feliz coincidência que a clínica Julian fosse de propriedade da Arolen… Até que Adam Schonberg começou aos poucos a suspeitar da terrível verdade que se escondia por trás dessa ligação…e do terrível mal infligido à mulher que ele adorava, pelo médico em que ela tanto confiava…. (Resenha: Servidão Mental – Robin Cook)

Opinião: Um dos temas mais bem explorados por Robin Cook em sua extensa obra apareceu pela primeira vez em Servidão Mental: o poderio da indústria farmacêutica e as possíveis formas encontradas pelos grandes laboratórios para popularizar seus medicamentos. Este livro, misto de ficção científica com seu tradicional thriller eletrizante, foi publicado em 1985 e até hoje boa parte da sua discussão continua atual e passível de ser debatida.

Em um primeiro momento, nos deparamos com uma questão que pelo menos uma vez na vida já afetou qualquer um de nós: a confiança total e irrestrita no diagnóstico e aconselhamento médico. Por mais que nos coloquemos nas mãos de um profissional formado para exercer aquela função, é de nossa natureza ter aquela dúvida, receio ou puro e simples medo. Ainda mais quando o diagnóstico leva a uma cirurgia ou quem sabe à sugestão de um aborto. Pois bem, nos idos da década de 1980 do século passado, Robin Cook tratou de forma totalmente normal e corriqueira o aborto com seus personagens. E mais uma vez criou uma trama com uma variedade curiosa e interessante de temas.

Problemas genéticos que podem causar uma má formação do feto são apontados pelo médico de confiança de Jennifer como justificativa mais que plausível para que ela faça um aborto. Passando por problemas financeiros em seu casamento, ela, apesar de dúvidas iniciais, decide seguir sem pestanejar o conselho do Dr. Vandermer. Mas seu marido, o estudante de medicina Adam, é totalmente contra. Buscando uma renda extra, ele passou a ter contato com uma gigante em expansão da indústria farmacêutica e nesse meio tempo descobriu uma trama digna das melhores ficções científicas.

Mantendo-se fiel a seu estilo, à ocasião já consagrado, Robin Cook mesclou uma ficção bem imaginativa com pontos reais e boas doses de críticas e alertas sobre e relação médicos e representantes de laboratórios e seus famosos brindes e amostras grátis. Se transportarmos muito do que foi colocado na obra para os dias atuais, vamos perceber que pouco mudou ou, pior, as relações podem ter ficado mais espúrias. Na parte de ficção, a Servidão Mental descrita é intrigante, plausível, e consegue se sustentar tranquilamente por mais absurda que possa parecer inicialmente.

Um ponto característico dessas obras iniciais do autor é o pouco desenvolvimento dos personagens. Apesar dos dramas que permeiam a vida dos protagonistas de Servidão Mental, eles são pouco aprofundados e no fim das contas servem unicamente ao propósito de Cook de contar sua história de ação e suspense. Isso pode fazer com que alguns diálogos ou situações soem mecânicos demais, mas nada que possa ser considerado como um fator negativo.

Servidão Mental é mais um thriller médico cuja leitura envolve, é ágil, e nos leva por caminhos interessantes da medicina. Leitura mais que indicada para todos que curtam o gênero.

PS: Assim como a maioria das obras de Robin Cook, Servidão Mental também se encontra fora de catálogo no Brasil, sendo necessário um bom garimpo por sebos para encontrá-lo. Os últimos três livros lançados dele vieram como um novo e atraente desenho gráfico, mostrando que a Record ainda se preocupa com a qualidade de sua obra. Fica um pedido para a editora pensar com carinho em reeditar alguns desses livros em nova tradução.

Avaliação:

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Cérebro

O Autor: Robin Cook médico e escritor, Robin Cook é largamente creditado como o introdutor do termo ‘médico’ como um gênero literário. Por isso, 20 anos depois do lançamento de seu primeiro livro, “Coma”, ele continua a dominar a categoria que ele mesmo criou. Cook combinou com sucesso fatos médicos com fantasia para produzir uma sucessão de best-sellers do The New York Times.

Em cada uma de suas obras, Robin Cook busca escrever sobre os bastidores da prática médica atual. Explorou, entre outras coisas, a doação de órgãos, engenharia genética, a fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas e transplantes de órgãos, entre outros.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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