Sinopse Record: Num centro médico da cidade de Los Angeles morrem várias pessoas contaminadas com um terrível vírus, quase sempre fatal, que se propaga com extrema facilidade e rapidez: o Ebola. E, tragicamente, o mesmo cenário repete-se em diversos centros médicos espalhados por todo o país. Incumbida de investigar a fonte de contágio do vírus a Dra. Marissa Blumenthel, do Centro de Controlo de Doenças de Atlanta vai, ao mesmo tempo, tentar encontrar, o mais depressa possível, a cura antes que o vírus que até então só surgiu nos centros médicos, saia para as ruas o que seria catastrófico. Numa situação tão dramática como esta a Dra. Marissa vai surpreender-se ao descobrir que há, por entre os seus superiores, pessoas interessadas em que a verdade não venha ao de cima e vai ficar a conhecer um terrível segredo médico. (Resenha: Vírus – Robin Cook)

Opinião: A imensa maioria das obras dos anos iniciais da carreira de Robin Cook se debruçaram sobre uma fórmula única, sem muitas inovações em sua base de construção. Mesmo trabalhando com variadas temáticas dentro das possibilidades de produzir thrillers com situações médicas, o autor não fugiu muito de um padrão sequencial para contar suas histórias. Ocasionalmente vejo alguns leitores apontarem isso como um problema, contudo, gosto sempre de deixar um pouquinho meu gosto pessoal de lado e buscar compreender a época em que as obras são publicadas para entender se, por acaso, a repetição ou o acomodamento não possa ter se dado por conveniência do período e não somente por falta de talento.

Dito isso, Vírus, apesar de seguir à risca essa tal fórmula, surge como a primeira obra aclamada pela crítica após o sucesso de Coma. E não é pra pouco, afinal, o livro se constrói em cima de ação com ingredientes interessantes de investigação. O suspense aqui gira em torno de quem é o responsável por disseminar os vírus mortais na população norte-americana. O “quem” acaba sendo mais importante que o “por que” e é isso que vai impulsionar o desenvolvimento da história. Infelizmente, para os leitores mais atentos e já acostumados não só com o autor, mas também com thrillers em si, matar a charada e identificar o vilão é algo fácil.

Como boa parte da obra de Robin Cook, Vírus é um livro que causa inquietação quando imaginamos que muitas de suas invenções podem facilmente serem postas em prática na vida real. É o típico suspense para passar boas horas de leitura e para ser devorado rapidamente. Uma qualidade que super aprecio no trabalho do autor. O que causa certo incômodo é a excessiva repetição de alguns procedimentos médicos durante os surtos de doença, e a mais que excessiva ingenuidade da nossa protagonista Dra. Marissa. Apesar de ser uma personagem que vai crescer e protagonizar obras futuras, ela tem um começo de carreira literária que irrita bastante.

Publicado em fins da década de 1980, Vírus reflete bem algo que percebemos em muitas outras obras do período: a falta de preocupação em amarrar todos os fios e garantir que todas as explicações e motivos façam sentido lógico. É uma característica que não me incomoda nem um pouco a partir do momento em que a história me envolve e eu mergulho na tentativa de descobrir seu desfecho. Isso aconteceu com Vírus, fazendo deste, um dos melhores livros da fase inicial da carreira de Robin Cook.

PS: Assim como a maioria das obras de Robin Cook, Vírus também se encontra fora de catálogo no Brasil, sendo necessário um bom garimpo por sebos para encontrá-lo. Os últimos três livros lançados dele vieram como um novo e atraente desenho gráfico, mostrando que a Record ainda se preocupa com a qualidade de sua obra. Fica um pedido para a editora pensar com carinho em reeditar alguns desses livros em nova tradução.

Avaliação: 4 Estrelas

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O Autor: Robin Cook médico e escritor, Robin Cook é largamente creditado como o introdutor do termo ‘médico’ como um gênero literário. Por isso, 20 anos depois do lançamento de seu primeiro livro, “Coma”, ele continua a dominar a categoria que ele mesmo criou. Cook combinou com sucesso fatos médicos com fantasia para produzir uma sucessão de best-sellers do The New York Times.

Em cada uma de suas obras, Robin Cook busca escrever sobre os bastidores da prática médica atual. Explorou, entre outras coisas, a doação de órgãos, engenharia genética, a fecundação in vitro, pesquisas sobre drogas e transplantes de órgãos, entre outros.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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