Atenção! Esta resenha contém spoilers dos dois primeiros livros da série.

“Apenas uma história. Mas nunca era apenas uma história. ”

Sinopse Intrínseca: Último volume da celebrada trilogia iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Neste terceiro livro, depois de sofrer com a morte do avô, conhecer crianças com habilidades peculiares em uma fenda temporal e partir pelo mar em uma busca desesperada para curar a srta. Peregrine, Jacob vai finalmente enfrentar a inevitável conclusão dessa turbulenta jornada. Partindo da Londres dos dias atuais, o grupo de peculiares vai percorrer as ruelas labirínticas do chamado Recanto do Demônio, uma complexa fenda temporal que abriga todo tipo de vícios e perversões. É ali que o destino de peculiares de toda parte será decidido de uma vez por todas.

Opinião: Aos que, como eu, sofreram um pouco com a lentidão da leitura de Cidade dos Etéreos, a conclusão dessa saga em Biblioteca de Almas resgatou o fôlego do livro um e conseguiu chegar ao seu desfecho de forma exemplar. Mais uma vez, o livro começa exatamente no ponto em que termina o anterior, com Jacob descobrindo o seu talento peculiar: ele é capaz de se comunicar e controlar os etéreos. E assim, junto com Emma e o cão Addison, ele parte rumo ao resgate de seus amigos e das ymbrynes raptados pelos acólitos.

A narrativa de Biblioteca de Almas não perde o ritmo em momento nenhum. Ransom Riggs consegue nos envolver na corrida contra o tempo para a salvação do mundo peculiar e desenhar um dos melhores cenários de toda a saga, o Recanto do Demônio. Esta fenda temporal onde se passa a maior parte da história é o mais completo contato que temos com este mundo fantástico dos peculiares. No Recanto encontramos as melhores descrições de cenários, pessoas, poderes e particularidades e temos a chance de conhecer pra valer os acólitos e a verdade por trás de seu surgimento.

Os novos personagens a quem somos apresentados foram bem construídos e são bastante convincentes, ao contrário do que achei em Cidade dos Etéreos. Assim, mesmo em poucas páginas é possível nos afeiçoar a um ou outro, como a Mãe Poeira, minha preferida neste volume. O protagonista Jacob mostra nítidos sinais de amadurecimento em diversas passagens e conseguimos facilmente comparar o garoto do livro um com este do fim da saga. Ponto positivíssimo pra Riggs! Quanto aos demais personagens, eles permanecem desenvolvendo seu papel secundário que dá sustentação à história.

O desfecho da trilogia é irretocável. A velha luta entre bem e mal se faz presente e todos os motivos, ambições e revelações apresentados são suficientes para o encerramento sem prejuízos da história. É fato que uma ou outra pergunta acaba ficando no ar, mas não acho que tenha prejudicado o conjunto da obra. E é sobre ele que chamo a atenção, afinal, nesses tempos em que somos inundados por séries e trilogias cujas temáticas são extremamente parecidas, o mundo dos peculiares se destaca pela originalidade de concepção. O casamento de uma história fantástica com fotografias originais de época é um sopro de criatividade que andava em falta neste gênero literário. A mensagem de tolerância e boa convivência com os diferentes, mesmo que apresentada de forma um tanto subliminar, é importante e mostra que a obra manteve um pé nesse nosso mundo real.

Biblioteca de Almas é uma história perfeita para encerrar uma série encantadora, e a trilogia é uma das melhores produções literárias que tive o prazer de ler em 2016.

Avaliação Biblioteca de Almas: 5 Estrelas

Avaliação da Trilogia: 4 Estrelas

O Autor: Ransom Riggs cresceu na Flórida, mas agora reside na terra das crianças peculiares, Los Angeles. Ao longo da vida, formou-se no Kenyon College e na Escola de Cinema e TV da Universidade do Sul da Califórnia, além de fazer alguns curtas-metragens premiados. Nas horas vagas é blogueiro e repórter especializado em viagens, e sua série de ensaios de viagem, Strange Geographies, pode ser lida em ransomriggs.com.

 

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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