“Quando somos jovens, inventamos diferentes futuros para nós mesmos; quando somos velhos, inventamos diferentes passados para os outros.” – Julian Barnes

Sinopse Record: Quando o agente literário Peter Katz recebe por e-mail um manuscrito parcial intitulado O livro dos espelhos, ele fica intrigado. O autor, Richard Flynn, descreve seus dias em Princeton, e documenta sua relação com Joseph Wieder, um renomado psicólogo, pesquisador e professor. Convencido de que o manuscrito completo vai revelar quem assassinou Wieder em sua casa, em 1987 — um crime noticiado em todos os jornais, mas que jamais foi solucionado —, Peter Katz vê aí sua chance de fechar um negócio de um milhão de dólares com uma grande editora. O único inconveniente: quando Peter vai atrás de Richard, ele o encontra à beira da morte num leito de hospital, inconsciente, e ninguém mais sabe onde está o restante do original. Determinado a ir até o fim neste projeto, Peter contrata um repórter investigativo para desenterrar o caso e reconstituir o crime. Mas o que ele desenterra é um jogo de espelhos, uma teia de verdades e mentiras, e uma trama mais complexa e elaborada que a do primeiro lugar na lista de mais vendidos dos livros de ficção.

Opinião: Venho sendo repetitivo nas resenhas ao elogiar o espaço que o romance policial ganhou em praticamente todas as grandes editoras brasileiras nos últimos dois anos, mais ou menos. Entre histórias geniais e viciantes e outras que são um verdadeiro desastre, temos a oportunidade de ir desbravando o que tem sido produzido neste gênero pelo mundo a fora. E vejam só, a editora Record nos levou lá pras terras do conde Drácula para conhecer O Livro dos Espelhos. Isso mesmo! Temos nada mais nada menos do que um suspense romeno!

A obra já começa com aquele jeitão de que está disposta a fisgar logo a curiosidade dos leitores. Um manuscrito, ao qual lemos junto com o personagem que o recebe, parece colaborar ou revelar a solução de um antigo assassinato. Só que o texto está incompleto, seu autor à beira da morte, e ninguém sabe onde foram parar as benditas páginas decisivas. Pronto! Temos aí o início de um suspense com todas as características para dar certo. A excelente linguagem se alia a uma narrativa que flui tão calma quanto um córrego. Não somos jogados numa busca frenética por algo, mas sim envolvidos numa investigação onde os fatos conhecidos não parecem ser bem aquilo que aparentam.

Dividido em três partes, narradas por diferentes personagens, O Livro dos Espelhos joga com a relação que cada um tem com suas memórias. Quando cada personagem olha para o passado, que está sendo revisto na busca pela solução do crime, a interpretação do que ocorreu, dos sentimentos, comportamentos e até mesmo dos fatos, muda. As memórias se prestam a moldar o passado ideal para o presente de cada um. Nesse jogo, pequenos detalhes podem fazer grandes diferenças. Este é o grande mérito de Chirovici. Ao construir uma história que vai além da busca por pistas ou testemunhas, ele garante o mistério até as páginas finais. E com pouco mais de trezentas páginas, a leitura desse livro acontece quase num piscar de olhos. Como já disse, a trama fui tão bem que vamos avançando os capítulos sem perceber e acabamos consumimos cem páginas em poucas horas.

O Livro dos Espelhos se sustenta em todos os seus argumentos. É uma história inteligente e que exige o raciocínio dos leitores. Dona de um catálogo com excelentes títulos do gênero, a Record acertou a mão neste lançamento e nós agradecemos o passeio pelos ares do suspense romeno. Que venham novos países e mais novidades!

Avaliação: 4 Estrelas

O Autor: E.O. Chirovici nasceu na Transilvânia. Possui doutorado em Economia, Comunicação e História, e é membro da Academia de Ciências Romena. Trabalhou como jornalista por muitos anos e recebeu vários prêmios e honras importantes, incluindo a Medalha Kent, em 2009, pelas mãos do Príncipe Edward, Duque de Kent. Ele já escreveu 10 romances em romeno, todos sucessos de venda na Romênia. O livro dos espelhos é seu primeiro livro escrito originalmente em inglês.

 

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