Sinopse Intrínseca: Em uma noite quente e nebulosa, onze passageiros decolam em um jatinho particular da ilha de Martha’s Vineyard em direção a Nova York. Porém, dezoito minutos depois, o imponderável acontece: a aeronave despenca no oceano. Os únicos sobreviventes são Scott Burroughs, um pintor desconhecido e fracassado, e J.J., um menino de quatro anos, filho de um magnata milionário do ramo das telecomunicações. A riqueza e o poder de parte dos passageiros despertam as teorias mais variadas sobre a queda: tantas pessoas influentes teriam morrido em um acidente por mero acaso? Ou teria sido vingança, terrorismo, queima de arquivo? Com capítulos alternando entre os acontecimentos subsequentes à queda e o passado dos passageiros e integrantes da tripulação, o mistério que cerca a tragédia se torna cada vez maior. Enquanto as tramas dos personagens se desenrolam, estranhas coincidências apontam para uma conspiração.

Opinião: Sempre fico com o pé atrás quando capas de livro estampam opiniões como a que encontramos em Antes da Queda: “Um dos melhores livros do ano” pelo The New York Times. É o tipo de crítica/marketing ideal para se criar expectativas e, invariavelmente, não as cumprir.  Antes da Queda não é o melhor livro que li no ano e acho que não será o de vocês. Mas é um p… de um livro com uma história muito bem desenvolvida. Seu ponto alto é explorar de forma magistral o fascínio que nós temos pela vida dos outros. E acreditem, a narrativa toda poderia facilmente acontecer nesse nosso mundo real, sem precisar mudar nadinha de nada. Vamos a ela?

Pois bem, Antes da Queda explora as consequências de um acidente aéreo na vida de sobreviventes, familiares e a sociedade em geral. Embora a taxa de desastres com aviões no mundo seja baixa, quer tema mais atual para se trabalhar? Coloque dois casais poderosos e milionários, duas crianças e um anônimo dentro de um jatinho e logo em seguida derrube-o no mar. Faça com que o anônimo e uma criança saiam vivos. Pronto! Temos tudo o que os meios de comunicação e nós, telespectadores, mais gostamos para passar o tempo. Conjecturas, suposições, divagações, teorias mirabolantes…. É uma panela de pressão de adrenalina midiática pronta para estourar a qualquer momento. E o estouro se dá através de entrevistas, fotógrafos, vidas sendo vasculhadas, pequenas situações sendo distorcidas para gerar constrangimentos, passados sendo desenterrados a troco de nada…. Fofocas que alimentam a nossa curiosidade.

O livro é construído em capítulos que vão se revezando entre o antes e o depois da queda do avião. O autor nos conta a história de vida de cada vítima, como se fosse um obituário, mas sem esconder nenhum segredo. Méritos e deméritos de cada um são expostos de forma que acabamos conhecendo muito bem quem eram e o que faziam aquelas pessoas. Já os dois sobreviventes são os objetos de desejo da mídia: o pintor anônimo cuja vida sofre uma devassa e o garoto órfão-milionário cuja guarda acaba nas mãos da tia e seu marido obcecado pela grana.

Com maior protagonismo do pintor, cuja vida passa a ser de interesse nacional após o acidente, Noah Hawley vai desnudando esse fascínio que nós temos em descontruir histórias. Principalmente se forem pessoas bem-sucedidas e donas de consideráveis quantias de dinheiro. Havia corrupção? Alguém era amante de alguém? Interesses terroristas? A mídia, excelentemente bem representada por um apresentador, quer saber absolutamente tudo, não importa o quanto de privacidade tenha que ser invadida. Isso faz de Antes da Queda um livro de leitura necessária. Porque ele acaba gerando reflexões sobre aquilo que nós temos alimentado com a nossa audiência ou com nossos cliques.

A obra também se debruça sobre as pessoas que precisam seguir adiante com suas vidas. A família que do nada recebe uma criança sobrevivente e sua enorme fortuna. Qual o impacto disso em cada uma dessas pessoas? Como retomar a rotina após uma tragédia, e o que essa tragédia muda na forma de cada um enxergar o seu mundo e mundo que o cerca?

O suspense que deveria ser criado em torno da queda do avião acaba ficando totalmente em segundo plano no livro. Ele perde espaço pelo retrato nu e cru que Noah Hawley fez de nossa sociedade. A tal sociedade que transforma uma tragédia com nove mortes num espetáculo de mídia e televisão. Porque é exatamente isso que nós gostamos, certo?

Avaliação: 4 Estrelas

O Autor: Noah Hawley é roteirista, produtor e escritor vencedor do Emmy, do Globo de Ouro, do PEN, do Critic’s Choice e do Peabody Award. Já publicou quatro romances e roteirizou o filme Álibi. Foi produtor-executivo, roteirista e produtor das séries My Generation e The Unusuals do canal ABC. Foi roteirista e produtor da série de sucesso Bones. Hoje, Hawley é produtor-executivo, roteirista e produtor da premiada série Fargo.

Origem - Dan Brown - Editora Arqueiro
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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

1 COMENTÁRIO

  1. concordo bastante com o último parágrafo. o ponto forte do livro é mesmo a reação da mídia, já o mistério vai ser perdendo e no final das contas tem uma resolução pouco imaginativa.

    mas é um bom livro, fácil de ler e de nos manter interessados.

    daria 3 estrelas.

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