Sinopse Arqueiro: Certa manhã, um homem acorda no chão de uma estação de trem, sem saber como foi parar ali. Não faz ideia de onde mora nem o que faz para viver. Não lembra sequer o próprio nome. Quando se convence de que é um morador de rua que sofre de alcoolismo, uma matéria no jornal sobre o lançamento de um satélite chama sua atenção e o faz desconfiar de que sua situação não é o que parece. À medida que Luke remonta a história da própria vida e junta as peças do que está por trás de sua amnésia, percebe que seu destino está ligado ao foguete que será disparado dali a algumas horas em Cabo Canaveral. Ao mesmo tempo, descobre segredos muito bem guardados sobre sua esposa, seu melhor amigo e a mulher que ele um dia amou mais que tudo. (Resenha: Contagem Regressiva – Ken Follett)

Opinião: A capacidade de Ken Follett em se infiltrar em fatos e eventos históricos e a partir deles imaginar tramas repletas de ação, suspense e, principalmente, verossimilhança é surpreendente. Acostumado com, e fã absoluto, da ficção histórica consagrada de Os Pilares da Terra ou a trilogia O Século, me aventurei pela primeira vez pelos thrillers do autor em Contagem Regressiva. O estilo da narrativa aqui é completamente diferente e causa uma certa estranheza para quem aguardava parágrafos e páginas repletos de informações e dados da história. O vigor, no entanto, permanece o mesmo.

Contagem Regressiva se embrenha nos meandros da corrida espacial, um dos principais motores propulsores da Guerra Fria, e que concentrou esforços e recursos dos EUA e da URSS na segunda metade do século XX. A partir de um evento real, o lançamento de um satélite pelos norte-americanos, Follett desenvolve uma história de mentiras, traição e uma boa dose de suspense.

Dois pontos chamam a atenção na obra. Em primeiro lugar, os eventos históricos aqui servem de pano de fundo para a trama narrada, ou seja, esqueça o que você está acostumado a ler nos romances históricos do autor. Em segundo, o suspense em torno do protagonista Luke ganha contornos interessantes de drama à medida que os eventos vão avançando e a verdade vem à tona.  Em resumo, Contagem Regressiva é um daqueles livros que usam o mistério para contar uma boa história de relações pessoais e jogos de interesse. O grupo de amigos em torno de Luke joga a todo momento uns com os outros. Ninguém é totalmente confiável e não fica claro para nós, leitores, em quem devemos por fé. Os personagens, em muito devido aos cargos que ocupam, refletem fielmente o clima de desconfiança e polaridade que era visto nos Estados Unidos, e no mundo, no período. Eram tempos de ideologias que geravam opiniões e crenças muito fortes nas pessoas.

Apesar de ser um thriller, Contagem Regressiva custa a engrenar. É um livro que avança inicialmente em ritmo lento. O que poderia ser um ponto negativo, aqui é totalmente defensável. A narrativa nada mais faz do que acompanhar o processo do protagonista Luke em busca de respostas sobre si mesmo. A lentidão inicial reflete as dificuldades do personagem e à medida que ele vai avançando sobre quem é e o que faz da vida, o ritmo também vai acelerando. O fim nem preciso dizer que corre em ritmo frenético literalmente em uma contagem regressiva para salvar um projeto que, em última instância, poderia definir ou alterar drasticamente os rumos da política mundial.

Mantendo a qualidade da reconstituição de época característica do autor e trazendo um período pouco explorado pelo suspense (o que é inacreditável, se pensarmos na quantidade de possibilidades para tramas), Contagem Regressiva é uma boa pedida para aqueles que curte bons quebra-cabeças literários.

Avaliação: 4 Estrelas

O Autor: Ken Follett, escritor britânico, irrompeu no cenário da literatura aos 27 anos, com O buraco da agulha, thriller premiado. Depois de outros sucessos do gênero, surpreendeu a todos com Os Pilares da Terra, romance de ficção histórica que permanece sucesso de vendas até hoje, mais de 25 anos após seu lançamento. Suas obras já venderam mais de 150 milhões de exemplares. Também é autor da trilogia O Século.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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