“Ela é apenas uma mulher, apenas a senhora de meia ilha e mesmo assim se faz temida pela Espanha, pela França, pelo Império, por todos! ” – Papa Sisto V

Sinopse Arqueiro: Em 1558, as pedras ancestrais da Catedral de Kingsbridge testemunham o conflito religioso que dilacera a cidade. Enquanto católicos e protestantes lutam pelo poder, a única coisa que Ned Willard deseja é se casar com Margery Fitzgerald. No entanto, quando os dois se veem em lados opostos do conflito, Ned escolhe servir à princesa Elizabeth da Inglaterra. Assim que Elizabeth ascende ao trono, a Europa inteira se volta contra a Inglaterra e se multiplicam complôs de assassinato, planos de rebelião e tentativas de invasão. Astuta e decidida, a jovem soberana monta o primeiro serviço secreto do país, para descobrir as ameaças com a maior antecedência possível. Ao longo das turbulentas décadas seguintes, o amor de Ned e Margery não arrefece, mas parece cada vez mais fadado ao fracasso. Enquanto isso, o extremismo religioso cresce, gerando uma onda de violência que se alastra de Edimburgo a Genebra. Protegida por um pequeno e dedicado grupo de talentosos espiões e corajosos agentes secretos, Elizabeth tenta se manter no trono e continuar fiel a seus princípios. (Resenha: Coluna de Fogo – Ken Follett).

Opinião: Registrado na historiografia como uma “Era de Ouro”, o longevo reinado de Elizabeth I – foram quase 45 anos, deixou um legado de reafirmação da identidade britânica. Antes de mais nada é preciso ter em mente que, sendo filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth é um fruto da reforma religiosa que culminou na Igreja Anglicana, chefiada pela monarquia inglesa. Ao romper com o catolicismo e as ordens do Papa e fundar sua própria igreja, Henrique deixa de herança um clima de tensão, perseguição e intolerância. Estas características estarão presentes de forma bem mais acirrada quando, anos mais tarde, Elizabeth, protestante, ascender ao trono, substituindo a católica Maria.

Com este importante e fascinante período histórico em mãos, Ken Follett tem a desculpa perfeita para retornar pela segunda vez ao cenário de Os Pilares da Terra. Kingsbridge e a inesquecível catedral cuja construção acompanhamos é o ponto de partida para que os personagens fictícios nos conduzam pela história inglesa. O romantismo idealista dos dois livros anteriores cede espaço para a tensão e a conspiração. Coluna de Fogo é um livro com mais episódios verdadeiros do que ficcionais, além de trazer mais ação e mais conhecimento aos leitores.

Através do amor impossível entre o protestante Ned Willard e a católica Margery Fitzgerald, Ken Follett constrói a narrativa de um reinado. Pelas páginas de Coluna de Fogo, desfila uma imensa galeria de personagens fictícios e reais espalhados por diferentes países. Em comum todos trazem a marca da luta para professar sua fé. Seja na tolerância com os diferentes ou no extermínio na fogueira.

No lado da ficção, Follett recria com sua já característica minúcia de detalhes o cotidiano das pessoas comuns que no dia a dia tocavam suas vidas e serviam de joguete nas tramas da nobreza. A ambientação é perfeita e somos facilmente transportados para as casas, ruas e catedrais. Na parte dos fatos reais, a pesquisa histórica nos coloca dentro dos palácios e das residências como testemunhas de decisões e conchavos, tramas ardilosas e atos de grandeza. Aqui não há justiça, e percebemos como a intolerância religiosa, aliada à luta pelo poder, assassinou sem pudores quem quer que pensasse diferente. Ter a religião errada significava ruína e morte.

Coluna de Fogo tem conspirações para matar reis e rainhas, tem a ambição de nobres por mais poder, tem católicos queimando protestantes e protestantes matando católicos, tem a derrota da Invencível Armada espanhola e tem a pioneira rede de espiões inglesa. Há também pessoas que só almejam construir uma família em um mundo tolerante. No centro de tudo isso está Elizabeth I, “a rainha virgem”, uma figura que até hoje gera controvérsias sobre a real dimensão de todos os seus feitos.

Ken Follett une aqui, mais uma vez, a qualidade narrativa da alta literatura com as minúcias da pesquisa e da reconstituição da história. Navegar pelos mares bravios de Coluna de Fogo, é um presente aos amantes da ficção histórica.

“[Em uma época] que guerras e sedições com cruéis perseguições contrariaram todos os reis e países ao meu redor, meu reinado foi pacífico, e meu reino um receptáculo a tua aflita Igreja. O amor de meu povo parece ser firme, e frustrados os dispositivos de meus inimigos. ”
Elizabeth I

Avaliação: 5 Estrelas

O Autor: Ken Follett, escritor britânico, irrompeu no cenário da literatura aos 27 anos, com O buraco da agulha, thriller premiado. Depois de outros sucessos do gênero, surpreendeu a todos com Os Pilares da Terra, romance de ficção histórica que permanece sucesso de vendas até hoje, mais de 25 anos após seu lançamento. Suas obras já venderam mais de 150 milhões de exemplares. Também é autor da trilogia O Século.

Compartilhar
Artigo anteriorResenha: Árion: O Reflexo de Um Outro Mundo – Pablo Madeira
Próximo artigoResenha: Creepshow – Stephen King
Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

Deixe uma resposta