Os fãs de romances de suspense ou policiais já devem ter percebido a quantidade de obras e novos autores que têm desembarcado nas livrarias brasileiras nos últimos tempos. Estamos sendo apresentados a escritores de países normalmente fora da rota de publicação tradicional, e que nos surpreendem pela qualidade de suas tramas.

Robert Bryndza é um desses novos talentos, que a editora Gutenberg está publicando no Brasil desde 2016. A Garota no Gelo, estrelado pela detetive Erika Foster, é um romance policial que honra as tradições do gênero e dá um gostinho do que a capacidade criativa de Bryndza é capaz de fazer. Lançando seu segundo livro no Brasil, Uma Sombra na Escuridão, Robert Bryndza conversou com Jeff Rodrigues e falou um pouco sobre o seu trabalho. Confiram!

Qual a sua rotina de trabalho para criar seus mistérios? O mundo real te influencia?

ROBERT BRYNDZA: Sim. Para o meu último livro com a personagem Erika Foster, Last Breath, eu usei minha experiência de social media. O ponto de partida para este livro foi uma conversa entreouvida no ônibus, quando um rapaz estava tentando puxar papo com uma menina, mas ela não estava dando muita atenção e se recusava a responder perguntas mais pessoais, como onde morava. A garota estava certa em não lhe dizer nada, mas quando saiu do ônibus ela pegou seu celular e eu pude ver que ela estava twittando algo sobre um homem estranho que se aproximou dela no ônibus, e então ela estava fazendo check in no FourSquare. Ou seja, ali ela estava passando muito mais informações do que percebeu, e este foi meu ponto de partida. Eu pensei em como seria fácil para um assassino em série encontrar vítimas em redes sociais e, em seguida, fingir um perfil para se encontrar com essas pessoas. Em termos de pesquisa, eu trabalho com um superintendente aposentado da polícia para me certificar de que o procedimento policial em meus livros está correto. Eu também leio muito, pesquiso no Google e tento conversar com outras pessoas.

De onde veio a inspiração para a Detetive Erika Foster?

RB: A ideia para o livro onde Erika Foster aparece pela primeira vez (A Garota no Gelo) me veio há alguns anos. Na Eslováquia, onde moro, existe um grande centro de exposições. Ali, encoberto entre as árvores, próximo de um lago, há um restaurante abandonado que fica embaixo d’água. Esbarrei nele num dia de verão e, mesmo sendo um lindo dia ensolarado e brilhante, a visão dele foi muito estranha. E aí eu pensei que seria um ótimo lugar para esconder um corpo morto, pouco antes do inverno, quando tudo congela.

A versão original de A Garota no Gelo tinha Erika Foster vivendo na Eslováquia e se recuperando da morte de seu marido. Era uma história muito mais sombria, mais simples e com apenas alguns personagens. Gostei dessa versão, mas ela teria funcionado apenas com um romance único, e eu queria mesmo era escrever uma série. Mostrei o manuscrito original à minha editora, que sugeriu que eu mudasse a ação para Londres. Foi aí que a trama decolou, os outros personagens evoluíram rapidamente e a história mudou, colocando Erika em confronto com o establishment britânico ao investigar a morte de uma garota que é filha de uma figura política. O restaurante subaquático transformou-se num lago congelado nos terrenos do museu de Horniman ao sul de Londres. O personagem Erika Foster é baseado em algumas mulheres que eu conheço, uma amiga eslovaca, e em uma amiga de escola que se tornou policial.

O romance policial é um gênero que vem ganhando força nos últimos anos. As livrarias no Brasil tem recebido cada vez mais obras de diferentes países. A que você atribui isso?

RB: Eu acho que é da natureza humana ser intrigado pelo lado escuro da vida. Romances policias colocam os leitores muito perto de assassinos em série e situações assustadoras, sem que eles precisem deixar o conforto de suas casas. Estou muito feliz por ser publicado no Brasil, e ter um grupo de fãs brasileiros!

Quais os seus escritores preferidos?

RB: Stephen King, Sue Townsend, Robert Galbraith

Já leu algum livro ou conhece algum autor brasileiro? Gostaria de visitar o Brasil?

RB: Paulo Coelho é muito famoso por aqui, e eu adoraria visitar o Brasil!

No segundo semestre de 2017, Dark Water será lançado no Brasil, e você já está lançando um quarto livro. O que podemos esperar de seus próximos trabalhos? Erika Foster terá vida longa ou você pretende explorar outros caminhos?

RB: Erika Foster terá uma vida longa. Eu gostaria de escrever os livros enquanto os leitores gostarem de lê-los. Vamos descobrir mais sobre o passado de Erika, a morte de seu marido, e nós vamos conhecer melhor os membros de sua equipe, e haverá um serial killer mais assustador do que ela já experimentou antes!

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Leia nossas resenhas sobre os livros de Robert Bryndza clicando nos títulos abaixo:

A Garota no Gelo e Uma Sombra na Escuridão

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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