Sinopse Intrínseca: Doze anos se passaram desde que Malorie e os filhos atravessaram o rio com vendas no rosto, mas tapar os olhos ainda é uma regra que não podem deixar de seguir. Eles sabem que apenas um vislumbre das criaturas pode levar pessoas comuns a uma violência indescritível. Ainda não há explicação. Nenhuma solução. Tudo o que Malorie pode fazer é sobreviver… e transmitir aos filhos sua determinação. Não se descuidem, diz a eles. Fiquem vendados. E NÃO ABRAM OS OLHOS. Quando eles tomam conhecimento de uma notícia que parecia impossível, Malorie se permite ter esperança pela primeira vez desde o início do surto. Há sobreviventes. Pessoas que ela considerava mortas, mas que talvez estejam vivas. Junto dessa informação, porém, ela acaba descobrindo coisas aterrorizantes: em lugares não tão distantes, alguns afirmam ter capturado as criaturas e feito experimentos. Invenções monstruosas e ideias extremamente perigosas. Além disso, circulam rumores de que as próprias criaturas se transformaram em algo ainda mais assustador. Malorie agora precisa fazer uma escolha angustiante: viver de acordo com as regras de sobrevivência que funcionaram tão bem até então, ou se aventurar na escuridão e buscar a esperança mais uma vez. (Resenha: Malorie – Josh Malerman)

Opinião: Acredito que há histórias que se encerram em si mesmas. Por mais que ajam caminhos a serem explorados ou perguntas que possam merecem uma resposta, ainda assim determinadas histórias têm seu começo, meio e fim e não devem ser revisitadas. Nos últimos anos, talvez décadas, o sucesso impulsionado por adaptações para cinema ou televisão fez com que autores parassem de produzir livros únicos e decidissem se concentrar em trilogias ou séries sem fim. Ou ainda, começassem a revisitar suas histórias em busca “do que aconteceu depois” com os personagens. A vontade de vender exemplares de uma continuação baseada no sucesso de uma obra que, sendo única, bastaria por si só.

Josh Malerman foi um desses autores picados pela mosca da continuação. Após um excepcional trabalho em Inspeção, ele retornou ao universo de Caixa de Pássaros, seu livro de estreia e sucesso mundial. Certamente motivado pela adaptação bem sucedida da obra pela Netflix, Malerman reencontrou seus personagens após a última página de Caixa de Pássaros e se perguntou que vida levaram. Dessa pergunta resultou Malorie, uma daquelas continuações que, a meu ver, poderíamos ter sido poupados e que manteria o universo original da obra bem preservado, com cada leitor divagando e desenvolvendo suas teorias e encontrando suas próprias respostas. Mas não. Era necessário tentar faturar vendendo mais…

Malorie reproduz em detalhes o clima sufocante e claustrofóbico de seu antecessor na mesma narrativa ágil que caracteriza seu autor. Mas falta densidade na trama que é narrada. Focada na personagem título e como ela 1) se transformou depois de alguns anos vivendo vendada no refúgio encontrado e 2) se lança novamente em uma cruzada épica em busca de pessoas importantes para sua vida, a história é tão rasa quanto uma tábua e com cenas tão inverossímeis que às vezes beiram o ridículo. Nada é desenvolvido com cuidado e se fizermos um balanço geral vamos concluir que o livro é um amontoado de aventuras na busca por uma redenção final esdrúxula e desnecessária.

A crença cega de Malorie naquilo que pra ela sempre foi o certo e seus embates com o filho, Tom, que defende a exploração, o “cientificismo”, poderiam ter rendido excelentes desdobramentos. Ainda mais se forçarmos um pouquinho a barra para encaixar o mundo apocalíptico do livro no nosso mundo isolado socialmente por uma pandemia. Há os creem cegamente no que é provado e aqueles que acreditam somente no que ouviram falar ou no que concluíram por conta própria. Havia nesses trechos do livro pontos muito interessantes para serem explorados, mas tudo passou batido como um simples desajuste entre mãe e filho.

Diferente do ineditismo do “não abra os olhos” que nos causou tensão em Caixa de Pássaros, Malorie segue um caminho que vai replicando situações, criando climas que não levam a lugar algum e provocando coincidências difíceis de aceitar mesmo em uma ficção dessas. E a personagem, apesar de entendermos seus embates pessoais e maternais, acaba ficando chata e repetitiva. Se o objetivo era dar um desfecho correto para a saga de Malorie, o livro falhou. Se a ideia era explicar para as pessoas o que eram as tais criaturas, o livro deixou a desejar. Vale a leitura? Bom, não está na minha lista de indicações, mas talvez fãs possam encontrar um consolo em rever personagens e o universo da trama. E quem sabe sair menos frustrados que eu.

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Uma Casa no fundo de um Lago

Caixa de Pássaros

O Autor: Josh Malerman é um autor americano e o vocalista da banda de rock The High Strung. Atualmente vive em Ferndale, Michigan. Malerman primeiro começou a escrever enquanto na quinta série, onde ele começou a escrever sobre um cão que viaja no espaço. Desde então, ele já escreveu vários romances inéditos e seu romance de estreia Caixa de Pássaros foi publicado no Reino Unido e nos Estados Unidos em 2014 para muito aclamado pela crítica.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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