Sinopse Arqueiro: O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é. Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio… e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras. Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita… e eles querem sangue. (Resenha: A Caça – M.A. Bennet)

Opinião: Cervos, galhadas e uma enxurrada de referências cinematográficas compõe a trama infantil de A Caça, um pretenso suspense que não chega nem a nadar antes de morrer na praia. Capa, contracapa e frases de marketing caminham na estrada contrária do conteúdo do livro e conseguem se sobressair na qualidade que faltou ao desenvolvimento de uma história que poderia render bons frutos.

Apresentado como uma ficção infanto-juvenil, A Caça promete um fim de semana mortal em um suspense que é quebrado logo nas primeiras frases com a protagonista entregando o que poderia ser um mistério a se sustentar nas duzentas páginas seguintes. A partir disso, não há muito o que fazer para fisgar a curiosidade dos leitores. Seguimos a narradora, Greer MacDonald, em sua saga em um colégio onde ser considerado de classe inferior é um grande problema. Mas a autora nem se dá ao trabalho de explorar uma “lutinha de classes” almejando um discurso politicamente correto. Tudo é tratado de forma extremamente superficial em uma linguagem pobre e pouco criativa.

Eis que surge então o que poderia ser o trunfo da obra: o convite dos riquinhos para que os desajustados passassem um fim de semana em uma mansão. As atividades para curtir? Caça, tiro e pesca. O insólito de algo assim em pleno século XXI nós damos passagem se, e eu disse SE, a história ganhasse algum ritmo, mistério, suspense, segredo, reviravolta da parafuseca que conferisse ação, emoção. Contudo, a narração segue letárgica e, mais uma vez, M.A. Bennett preferiu seguir sua linha reta, sem desvios, sem se preocupar em oferecer nada de interessante aos leitores.

A Caça se resume, portanto, a uma narrativa legalzinha, porém linear ao extremo. Lembre-se que não há um mistério tendo em vista que a própria protagonista nos adianta o final lá nos primeiros capítulos. Então, sobra a nós sermos meros espectadores para apenas saber como tudo vai se desenrolar. Absolutamente todos os recursos que poderiam ser usados para fazer da trama um thriller foram dispensados pela autora. E as tentativas de humor e descontração com Greer citando cenas e nomes de filme a cada parágrafo surtem bom efeito nos primeiros capítulos e conseguem se tornar irritantemente irritantes do meio pro fim.

Como suspense A Caça é uma farsa. Enquanto obra para um público mais jovem, até “infanto”, acredito que a trama zombe um pouco da capacidade intelectual dessa faixa etária. Sobra ao livro o mérito de nos ensinar um pouco sobre cervos, galhadas e referências cinematográficas.

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A Autora: M.A. Bennett nasceu em Manchester, na Inglaterra, e é formada em História pela Universidade de Oxford e pela Universidade de Veneza, onde se especializou no estudo das peças de Shakespeare como fonte histórica. Depois, estudou Artes e desde então trabalhou como ilustradora, atriz e crítica de cinema. Além disso, projetou visualmente as turnês de algumas bandas de rock, incluindo U2 e Rolling Stones.

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