Sinopse HarperCollins: Charles Wallace agora tem seis anos de idade e na escola o menino se tornou um problema. Sofrendo bullying constante, Meg acha que o novo diretor da escola deveria ser responsável pelo menino, mas Charles Wallace fica terrivelmente doente antes que ela possa ajudá-lo. Mas há algo estranho acontecendo. Charles Wallace diz a Meg que há dragões no quintal de casa e ela descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, querubins feitos de asas, vento e chamas. E mais uma vez este é só o começo de uma nova aventura, onde Meg e seu amigo Calvin precisam correr contra o tempo para salvar seu irmãozinho. E, para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e lutar para restaurar a brilhante harmonia do universo. (Resenha: Um Vento à Porta – Madeleine L’Engle)

Opinião: De uns tempos pra cá as trilogias e séries de livros passaram a povoar as livrarias, todas com inúmeras ligações e finais em aberto para trazer o sofrimento da curiosidade aos leitores. Nesse cenário, a obra de Madeleine L’Engle soa como um alento por sua independência. O quinteto de livros que compõe Uma Dobra no Tempo não tem ligação entre si, a não ser pelo fato de ser protagonizado pelos mesmos personagens. Fora isso, as histórias podem ser lidas fora de ordem e não dependem umas das outras para existirem. Sendo assim, o volume dois, Um Vento à Porta, traz uma trama totalmente nova e bem diferente do que vimos no primeiro livro.

Deixando para trás o compilado de lições de vida embasadas em mensagens bíblicas que tanta polêmica trouxeram para Uma Dobra no Tempo, Um Vento à Porta é uma fantasia mais descompromissada, inclusive com um texto que flui melhor e é mais envolvente, embora a história não tenha o mesmo fôlego e vigor de sua antecessora.

O trio de protagonistas está de volta para viver uma nova aventura. Dessa vez o perigo põe em risco a vida de Charles Wallace e somente sua irmã Meg e seu amigo Calvin poderão ajuda-lo. Embarcamos então em uma corrida contra o tempo povoada por seres estranhos e uma insólita viagem pelo corpo humano, mais precisamente numa célula. Os ingredientes fundamentais para uma boa trama mais infanto que juvenil estão todos presentes e fazem do livro uma obra encantadora. A objetividade da autora mais uma vez pesa a seu favor, fazendo com que tudo flua rapidamente, sem diálogos ou cenas desnecessárias. Madeleine conta o que precisa sem enrolações, o que evidencia que ela sabia muito bem qual era o seu público alvo.

A trama deixa a entender, de forma bem sutil, que o trio de personagens principais está em processo de crescimento, amadurecimento. Talvez essa seja a única característica que, de fato, mostre que existe uma história anterior à essa. E nessa fase, eles precisam enfrentar desafios aos quais os pequenos estão sujeitos como o bullying e a iminência da perda. Para tratar de temas como esses, a autora trouxe o linguajar científico de mitocôndrias e similares e seres como querubins para metaforicamente mostrar como devemos superar nossos medos e traumas de forma a crescermos. Nesse ponto, um personagem secundário, o diretor Jenkins, tem uma história bastante interessante.

Equilibrando o fascínio das descobertas com a tensão de uma aventura, Um Vento à Porta mantém o estilo de uma obra para encantar, fascinar e despertar nosso lado mais infantil.

Avaliação: 4 Estrelas

A Autora: Madeleine L’Engle (1918-2007) foi uma escritora norte-americana mais conhecida por seus trabalhos de ficção científica YA, particularmente por Uma dobra no tempo e suas sequeências. Suas obras refletem seu forte interesse pela ciência moderna.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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