Sinopse Editora Arqueiro:

O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.

Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.

Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.

Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos. (Resenha: Os Quase Completos – Felippe Barbosa.)

Opinião:

Sentimento de gratidão me resume após a leitura desse livro. Gratidão por uma história que me fez pensar quem sou eu. Gratidão por essa história ser ambientada em Brasília. Gratidão por ter sido escrita por um autor brasileiro e que ganhou muito meu apreço.

Os Quase Completos é um livro que trata do “quase”. Já parou pra pensar em quantas vezes repetimos essa palavra?! Fazendo uma pesquisa minuciosa, essa palavrinha que não tem nada de básica, é responsável por estar presente em nosso linguajar na maioria das vezes em que deixamos de fazer algo e isso vem como “quase” depreciativo.

Fugindo dessa perspectiva depressiva, este é um livro bonito por se tratar da libertação. E o mais incrível é a libertação do nosso eu. Pois, com ele travamos as maiores batalhas do dia. É ele quem não nos deixa aproveitar os melhores momentos e é também responsável por estragar os melhores momentos e deixar os mais tristes cada vez mais tristes.

Quando nos libertamos do nosso eu e passamos a dominá-lo, nossa vida passa ter uma cor diferente, tons coloridos assumem os postos dos tons escuros e assim enxergamos a vida como ela deve ser enxergada.

Acompanhamos a história de três personagens: o quase doutor, o quase repórter e a quase viúva. Suas vidas tem algo em comum, eles não conseguem seguir em frente. O “eu” deles lutam tentando invadir suas perspectivas e com isso muita frustração toma conta da mente e do tempo.

Ao longo da leitura, suas histórias se encontram e é bonito ver o processo de libertação deles mesmo. Pois, se pararmos pra pensar, é difícil ser um doutor quando sua alma é de um artista, é enigmático lidar com a morte e a frustração no mesmo pacote e é doloroso imaginar uma vida em que não estamos ao lado da pessoa amada.

Felippe Barbosa soube trabalhar com realidade e muito detalhamento a vida de cada um de seus personagens. Sua escrita é leve e traz um tom muito realista pra sua história. Em alguns momentos a leitura foge ou tem informações que não trazem relevâncias. Os personagens coadjuvantes, que por sinal são muitos, é de extrema importância para os personagens principais conseguirem construir seus caminhos de libertação.

No livro há uma frase que me fez refletir muito, ela diz assim: “é preciso ter a mente aberta para enxergar as oportunidades escondidas numa situação.” Eu lhes pergunto, queridos leitores compulsivos, quantas vezes deixamos nossas mentes serem obscurecidas por nós mesmos e não soubemos tirar de cada situação as oportunidades que estavam escondidas?

Os Quase Completos é um livro rico, reflexivo e de extrema importância. Leiam!

Avaliação: 4 estrelas

O autor Vencedor do Prêmio Pólen de Literatura, Felippe Barbosa nasceu em 1996 em Uberlândia, Minas Gerais, onde mora até hoje. Ele se formou em Direito em 2017, e desde 2016 integra o canal do YouTube Toga Voadora.

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Goiano do pé rachado e comedor de piqui. Alucinado por histórias fantásticas e distópicos. Tributo, Hobbit de nascença, e habitante do país de Aslan. Entre os autores Suzanne Collins é majestade e Tolkien é imperador. Técnico em Química e buscando ser químico industrial intercalado com a vida de escritor, um dia qualquer publicará seu livro. Não dispensa um cinema...

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