Sinopse Zahar: Na história criada pelo escritor escocês, J.M. Barrie, e publicada pela primeira vez no início do século XX, Peter e Sininho, a fada, levam seus amigos João, Miguel e Wendy para conhecer o lugar em que vivem, a Terra do Nunca, onde o tempo não passa. Uma sucessão de aventuras espera a turma. Eles vão conhecer a aldeia dos índios e os Meninos Perdidos, se deparar com um navio pirata e ter que enfrentar o temível Capitão Gancho. Uma história cheia de emoções e mensagens. (Resenha: Peter Pan – J.M. Barrie)

“Todas as crianças crescem, menos uma. ”

Opinião: Para entrarmos na Terra do Nunca precisamos acreditar. Só crianças são propensas a isso sem questionamentos desnecessários. Mas no íntimo nós sabemos, mesmo sem admitir em voz alta, que existe sim um lugar escondido por aí que nos espera sempre que precisamos escapar das chateações do dia a dia. É nesse mundo, sem limites para a mente, que Peter Pan passa seus dias entre aventuras sem fim com um bando de amigos. Ali há emoção e adrenalina, índios e piratas, felicidade e perigos. Ah sim, e há fadas, lógico, mas…. Onde elas não estão?

Para essa Terra do Nunca, que vocês já estiveram diversas vezes e talvez não saibam disso porque a conhecem por outros nomes, Wendy e seus irmãos vão voar, acompanhando Peter em um gesto de confiança também só digno das crianças. E ali eles vão viver aventuras, passar por perigos, enfrentar piratas e esbarrar em estilos de vida que nosso olhar adulto vai reprovar. Ops, esperem! Não há espaço para esse tal olhar adulto aqui, portanto, se estiver com essa ideia em mente, é melhor cair fora da leitura.

Escrito nos princípios do século XX, Peter Pan é daquelas obras de época que possuem todo vigor para continuar encantando gerações anos e anos após sua publicação. Contudo, exaustivamente conhecida no mundo graças às adaptações ao cinema, a história de Peter Pan, no livro, passa bem longe do ideário hollywoodiano. É por isso que acredito ser importante termos em mente o distanciamento de época para aproveitar a essência da história. Porque o ideal de mulher, encarnado pela ainda jovem Wendy, é de quem vai crescer para cuidar de um lar e dos filhos. Porque o adorável Peter tem lances de crueldade, mata a sangue frio, e não se importa muito com o sentimento das pessoas. E porque piratas, fadas e sereias não existem, e martelar isso em nossa cabeça só estraga a magia escondida em cada capítulo.

Peter Pan é um garoto que mistura inocência com esperteza, desprendimento com carência, sentimentos de lealdade e de crueldade. Em resumo, podemos até acha-lo exagerado em sua composição, mas ele tem um pouquinho de tudo que caracteriza uma criança. As convenções sociais e a educação para a vida social não fazem parte de seu mundo, da mesma forma que não fazem de nenhuma criança até que nós, adultos, comecemos a ensinar. Na Terra do Nunca junto aos seus amigos, à fada Sininho e ao terrível capitão Gancho, Peter vai viver aventuras que toda criança sonha em suas brincadeiras. Vai mergulhar com sereias e ser amigo de índios, vai voar e vai ser egoísta. Vai matar, e todos nós já matamos alguém imaginário ou nosso amigo em guerrinhas e batalhas. A diferença dele para os amigos é que a vida para todos seguirá seu curso enquanto Peter será sempre criança e viverá sempre dessa forma.

Peter Pan talvez seja a história infantil que melhor entendeu e soube representar a miscelânea de sentimentos, emoções, ações e reações que fervilham dentro de uma criança. A convivência de J.M. Barrie com o grupo de garotos da família Davies certamente contribuiu para isso. Na obra, a realidade se esconde muito bem dentro de cada fantasia, embora o espaço para os sonhos seja ilimitado e de um vigor imaginativo único. Não à toa legou para a posteridade personagens icônicos – fada Sininho, capitão Gancho, que fazem parte do coletivo, independente da pessoa ter lido ou não o livro.

A infância sempre traz boas doses de nostalgia. Justamente por ser um período mágico, descompromissado, sem limites para os sonhos, em que um mundo bastante desconhecido se descortina à nossa frente. Acho interessante revisitarmos as histórias que mexeram com a nossa imaginação e, livre de amarras, nos deixarmos levar pelos seus caminhos aventureiros ao mesmo tempo em que percebemos como é importante, independentemente da idade, nunca fechar as portas para o sonho, por mais irreal que ele possa ser.

Como disse, é importante deixar um pouco de lado nosso olhar adulto e, vez ou outra, nos entregarmos a magia. Peter Pan é um desses encantamentos, e ele nos espera na Terra do Nunca para muitas aventuras. Você ainda é capaz de acreditar o suficiente para chegar até ela?

Avaliação: 5 Estrelas

O Autor: J.M. Barrie nasceu em Kirriemuir, na Escócia, em 1860, o nono entre os dez filhos do casal David e Margaret. Durante o período universitário, tornou-se crítico de teatro e passou a fazer parte de um grupo de debates, experiência que o ajudou a superar a timidez. Graduou-se em 1882 e três anos depois, após um breve período escrevendo para o Nottingham Journal, mudou-se para Londres, onde passou a publicar artigos e contos, sempre carregados de humor.

No ano de 1896, Barrie produziu dois trabalhos importantes: Margaret Ogilvy, a biografia de sua mãe, e Sentimental Tommy, um romance que, assim como o seguinte, Tommy and Grizel (1900), antecipou o seu mais famoso personagem, Peter Pan. O menino que não queria crescer apareceu também em alguns capítulos do romance The Little White Bird (1902). Já a peça Peter Pan, or The Boy Who Would Not Grow Up estreou em Londres em 27 de dezembro de 1904 e foi um sucesso imediato. Barrie posteriormente publicou o trecho de Little White Bird dedicado a Peter Pan em um volume intitulado Peter Pan em Kensington Gardens, em 1906, e depois transformou aquela peça num romance, Peter and Wendy, em 1911. Morreu em decorrência de uma pneumonia em 1937.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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