Sinopse Seguinte: Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências. Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma. (Resenha: O Dueto Sombrio – Victoria Schwab)

Opinião: A duologia Monstros da Violência encontra seu desfecho em uma história que dá conta da grandiosidade do universo distópico criado por Victoria Schwab, mas que tropeça na falta de ambição da autora de ousar mais e ir além do básico necessário para colocar um ponto final na trama. Classificado como segundo melhor livro que li em 2017, A Melodia Feroz surpreendeu e encantou por sua originalidade e por todas as metáforas inteligentes usadas para dar vida a uma triste ficção inspirada na realidade. Lógico seria, portanto, apostar todas as fichas de expectativa de que O Dueto Sombrio traria um final tão inventivo quanto a ideia central da série.

Passados seis meses dos acontecimentos narrados no primeiro volume, O Dueto Sombrio já traz os protagonistas August e Kate amadurecidos e calejados com a luta diária com os monstros que desequilibram o território de Veracidade. Cada um seguiu seu rumo e tenta encontrar ou uma razão para continuar na luta ou uma possibilidade de pôr um fim definitivo ao caos que passou a imperar sob o comando do vilão Sloan.

São eles, os personagens, os pontos altos que fazem a obra transbordar em qualidade. Victoria moldou as personalidades de cada um e nos entregou-os em seus mínimos detalhes. É visceral a forma como penetramos no íntimo de cada um para entender e compartilhar suas angústias, sonhos acalentados e sonhos desfeitos, combates internos entre certo e errado, noções de dever, sentimentos, emoções… O turbilhão de conflitos que povoa o interior de cada personagem, principalmente Kate e August, é de uma riqueza sem igual e um tanto quanto rara em obras desse gênero. A autora acertou em cheio e com isso conseguiu segurar a qualidade do livro.

Por outro lado, o ritmo alucinante de ação que domina já as primeiras páginas desemboca em afluentes que ou perdem o fôlego ou não convencem. O desenvolvimento dos vilões, com o surgimento de uma nova criatura é interessante, principalmente uma certa personagem que vai antagonizar com Kate. Mas o vilão Sloan não sustenta a história e rende cenas e situações nulas e sem o efeito que se espera de uma “batalha final”. A caminho do desfecho, Victoria optou por simplificar tudo e resolver a história da forma mais objetiva e fácil possível. Em uma obra de tamanha inventividade, essa opção, embora justa, acabou ficando incoerente.

O estilo narrativo segue envolvente, com cenas que poderiam ser suprimidas para diminuir o número de páginas; e cenas memoráveis que deixaram claro porque a dupla de protagonistas tão facilmente nos conquistou. August, pra mim, é um dos melhores personagens criados na ficção recente e o desfecho total da obra em seus parágrafos finais é singelo e tocante.

“… faça a dor valer a pena”.

Se O Dueto Sombrio não traz consigo um final à altura de toda a mitologia criada, pelo menos ele nos deixa boas mensagens, saudades de bons personagens, e o prazer de ter conhecido uma das histórias mais originais escritas nos últimos tempos.

Avaliação: 4 Estrelas

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Da Autora leia também:

A Melodia Feroz – Monstros da Violência Vol. 01

A Autora: Victoria Schwab é autora de romances jovens adultos e de fantasia, como A Guardiã de histórias e a série Um Tom Mais Escuro de Magia. Quando não está escrevendo ou sonhando com monstros em algum café, Victoria gosta de viajar, fazer biscoitos e assistir a séries da BBC.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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