Sinopse Contexto: O rei Xerxes comanda 2 milhões de homens do império persa para invadir e escravizar a Grécia. Em uma ação desesperada, uma pequena tropa de 300 espartanos segue para o desfiladeiro das Termópilas para impedir o avanço inimigo. Eles conseguiram conter, durante sete dias, dois milhões de homens, até que, com suas armas estraçalhadas, arruinadas na matança, lutaram “com mãos vazias e dentes” até finalmente serem mortos. A narrativa envolvente de Steven Pressfield recria a épica batalha de Termópilas, unindo com habilidade História e ficção.

Opinião: Um livro épico sobre uma das batalhas mais famosas da história. Esse é o melhor resumo para Portões de Fogo, um clássico de Steven Pressfield que deve ser lido por qualquer fã de romances históricos. Antes de mais nada, esqueça filmes como 300. Não há parâmetros de comparação, portanto, dispa-se de qualquer noção prévia que você tenha sobre a Batalha das Termópilas. Feito isso, mergulhe de cabeça em uma narrativa sem igual. Deixe-se envolver pela história que o escravo Xeones vai contar para o rei Xerxes.

Pressfield optou por dar voz a uma pessoa comum. Xeones, o narrador, é um sobrevivente feito prisioneiro. Curioso pela coragem do povo espartano, o rei Xerxes pede-lhe detalhes de sua preparação e treinamentos. Xeones então, inicia uma narração que constrói um panorama impressionante da vida guerreira e cotidiana dos espartanos. O livro vai muito além de narrar uma batalha. Ele nos conduz pelo processo de formação dos guerreiros, a sociedade, os modos de vida. Somos apresentados a toda a essência de Esparta e seu povo. Simultâneo a isso, a cada novo capítulo, um historiador do séquito de Xerxes vai nos situando historicamente nos acontecimentos.

Aos amantes de batalhas, Portões de Fogo não decepciona. Somos levados ao centro dos acontecimentos com uma narração detalhada. Sem poupar os leitores das tragédias que cercam as guerras, Pressfield mostra também o lado humano, aquilo que motiva cada personagem, histórico ou fictício, a se doar e doar a sua vida em nome de uma causa, crença ou nação. A honra e a garra de cada homem são tão bem apresentadas que nos identificamos com esses personagens e passamos a entender um pouco melhor suas atitudes e sentimentos.

A riqueza de detalhes faz desse, um livro visual. Estamos ali, junto aos personagens, acompanhando o desenrolar de suas vidas. Desde o começo, quando seguimos o ainda menino Xeones e o infortúnios que se abatem sobre sua casa, até os dramas e desafios que se colocam à frente de cada guerreiro. Jovens em formação ou atletas consagrados. Reis ou generais. Nada fica de fora da obra, com cada personagem sendo esmiuçado e desenvolvido da melhor forma possível, tornando-o quase real.

Portões de Fogo é uma obra inesquecível. Um livro que não se resume a narrar uma batalha, mas sim a falar sobre a formação de homens. Sobre o amor a Esparta.

Avaliação: 5 Estrelas

O Autor: Steven Pressfield americano, escritor e autor de peças teatrais. Seus livros retratam principalmente a ficção histórica militar em ambientes da antiguidade clássica. Suas obras de ficção histórica têm alto valor de pesquisa, mas, para dar andamento ao drama, Pressfield pode alterar alguns detalhes, como a seqüência dos eventos, ou fazer uso de termos contemporâneos e nomes de locais celebrados, com o objetivo, segundo ele, de tentar capturar o “espírito dos tempos”. Para aumentar a imersão dos leitores aos tempos antigos, Pressfield tipicamente escreve seus livros a partir do ponto de vista dos personagens envolvidos. Em The Virtues of War (As Virtudes da Guerra), por exemplo, a história é contada a partir da perspectiva em primeira pessoa de Alexandre. O épico Portões de Fogo é requisito na Academia Militar dos Estados Unidos e no Instituto Militar de Virgínia, e, de acordo com o L. A. Times, “alcançou status cult entre marines”. Pressfield serviu ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos na década de 1960, e mais tarde se graduou na Universidade Duke.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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