Sinopse Seguinte: A vida de Aristóteles mudou completamente desde que conheceu Dante Quintana. Com Dante, Ari aprendeu a achar graça nas pequenas coisas da vida e descobriu o coração enorme que tem, capaz de amar muitas pessoas ― inclusive outro garoto. Agora, os dois estão prestes a começar o último ano do ensino médio e, mesmo sabendo que em breve terão que fazer escolhas importantes para o futuro, estão se abrindo para novos amigos, novos lugares e para as próprias famílias ― até que Ari sofre uma perda terrível e, mais do que nunca, precisará do apoio de Dante. Nesta continuação de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, reencontramos nossos heróis no momento em que o primeiro romance termina, para seguir com eles pelas águas de um mundo novo, que pode ser perigoso e difícil, mas também vasto e cheio de possibilidades. (Resenha: Aristóteles e Dante Mergulham nas Águas do Mundo – Benjamin Alire Sáenz)

Opinião: Dois jovens descobrindo o amor em um mundo sem espaço para todo o tipo de amor. Uma sociedade por demais conservadora influenciada por opiniões religiosas ou puro preconceito. A epidemia de AIDS, uma doença ainda desconhecida, vai se espalhando e ceifando vidas, principalmente de homens. Gays. São muitos os temas que permeiam a continuação do aclamado sucesso de Benjamin Alire Sáenz e que fazem desse segundo livro uma história bem mais extensa – são mais ou menos quatrocentos e cinquenta páginas, e densa. Por outro lado, o lirismo do autor acaba por se sobrepor aos dramas dos personagens, dosando muito bem a obra para leitores mais jovens.

Aristóteles e Dante Mergulham nas Águas do Mundo parte exatamente de onde o livro anterior terminou. Os dois garotos estão descobrindo o amor, os desejos do corpo, os prazeres da conexão que desenvolveram um com o outro. Ao mesmo tempo estão percebendo que o mundo ao redor lhes é hostil. Ser homossexual é errado, pecaminoso, ofensivo etc. etc. etc. E a AIDS está se espalhando, matando, assustando e sendo devidamente ignorada pelos governantes. É o mundo do final dos anos 1980. Uma realidade que muitos dos leitores dessa obra não imaginam nem de longe como possa ter sido. E é esse o cenário em que os heróis Ari e Dante vão precisar construir suas vidas. A faculdade já desponta no horizonte e as reponsabilidades serão ainda maiores. Na condição dos dois, bem maiores.

O estilo de escrita de Alire Sáenz, que vai permear toda a obra, exala lirismo e poesia em todas as situações. As conversas dos protagonistas, que no primeiro livro nos encantavam, começam a soar poéticas demais da conta. Então há momentos em que o excesso de emoção demonstrado por todos os personagens fica fictício demais. É uma opção do autor e dá certo. Funcionou muito bem nos “Segredos do Universo”, mas cansa um pouco. Porque adolescentes de dezessete anos não são esse amontoado de reflexões carregadas de tiradas poéticas. Mas tudo bem, vamos fazer uma concessão já que o conjunto da história dá conta do recado.

No livro, os personagens vão passar por mais fases de amadurecimento percebendo a todo momento que nada nunca vai ser fácil. Há diversas situações em que eles vão esbarrar em mortes, em comentários preconceituosos, em violência. O medo permeia o íntimo desses protagonistas. Mas o ambiente ao redor, formado por família e amigos, vai funcionar como o fiel da balança para mostrar que é possível sim viver a vida da forma como se quer, e que não existe nada de errado em dois garotos se apaixonarem. Desafios vão bater à porta sempre e é nisso que a obra vai se debruçar para mostrar que Ari e Dante estão se tornando homens. Homens capazes de se amar e, na medida do possível, lutar por esse amor.

“Quando vamos todos poder ser humanos, Dante?”

Na parte final, dedicada aos agradecimentos, Alire Sáenz fala um pouco sobre como essa história ficou meio que perturbando sua cabeça até ele perceber que era necessário reencontrar os personagens nessa continuação. Dá pra entender que havia ainda uma conclusão em aberto para Ari e Dante à medida que o livro coloca os personagens, principalmente Ari, em contato com situações em que eles precisavam se resolver ou entender melhor as coisas.

É onde Ari consegue quebrar as barreiras do pai e estabelecer uma conexão de altas conversas e ensinamentos. É onde, também, ele se entende com o irmão, preso, para colocar um ponto final em tudo que alimentava na cabeça. E assim vai se repetir com as amigas, com colegas da escola e consigo mesmo. Então de fato os personagens tinham questões em aberto que essa continuação permitiu resolver. Foram mais alguns passos no caminho do amadurecimento rumo à fase adulta.

Por mais difícil que possa ser manter o nível quando se vem de um livro de sucesso estrondoso, o autor conseguiu entregar uma história a altura do que talvez seja esperado pelos fãs. Como falei, é lírico demais. Exala poesia em excesso. Mas é bonito. É uma história de amor que amontoa clichês a perder de vista, mas que funciona exatamente para o público-alvo. Porque ela reflete alguns pontos de uma forma bacana. De algum jeito, ela contribui na formação pessoal.

Ari e Dante são dois companheiros que os leitores jamais vão deixar de lado. Eles são aquele tipo de personagem que a gente não esquece. A história de amor deles, e acreditem eles passam por boas provações para chegar ao desfecho, é apenas mais uma grande história de amor da literatura. Sim, porque o ideal é que a gente construa uma sociedade em que não seja preciso destacar que é “a história de amor homossexual”. Amor cada um vive da forma como bem entender e a mãe de Ari dá lições que poderiam ser ensinadas em salas de aulas. Até porque há tanto absurdo no mundo que a gente se pergunta por que só o amor é que incomoda.

As águas do mundo são turvas e agitadas e é muito difícil se manter nelas. Ainda mais quando grandes ondas surgem dispostas a regrar, a enquadrar, a apontar o dedo e julgar. Mas é possível mergulhar e curtir locais mais límpidos, calmos, paradisíacos. Essas águas são acessadas com a ajuda das pessoas ao nosso redor que nos amam da forma como somos. Isso fortalece nossa jornada singrando os mares da vida. Acho que esse é o maior resumo que posso fazer desse segundo volume de Aristóteles e Dante. São dois personagens cuja história precisa e deve ser repercutida por todos nós, leitores compulsivos. Porque é da sementinha plantada com histórias assim, somada aos nossos atos, que iremos pouco a pouco transformar a sociedade e garantir que todos mergulhem sem medo e vivam suas vidas. Podendo amar e ser amados da forma como bem entenderem!

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Aristóteles e Dante Mergulham nas Águas do Mundo #2

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O Autor: Benjamin Alire Sáenz Nascido em 1954, é um poeta, romancista e escritor de livros infantis premiado. Nasceu em Old Picacho, Novo México, graduou-se em Las Cruces High School em 1972. Naquele outono ele entrou no Seminário de St. Thomas em Denver, Colorado, onde ele recebeu bacharelado em Humanas e Filosofia em 1997. Ele estudou teologia na universidade de Louvain em Leuven na Bélgica de 1997 a 1981. Ele foi padre por poucos anos em El Paso no Texas antes de deixar a ordem. Em 1985 ele retornou para a escola e estudou Inglês e Escrita Criativa na universidade do Texas em El Paso onde ele ganhou o mestrado em Escrita Criativa. Ele ganhou um ano na universidade de Iowa onde fez seu PhD em Literatura Americana. Um ano depois ele foi aclamado com Wallace E. Stegner. Enquanto esteve na universidade de Stanford sob o guia de Denise Levertov, ele completou seu primeiro livro de poemas que ganhou o American Book Award em 1992. Ele então entrou no programa de PhD de Stanford e continuou a estudar por mais dois anos. Antes de completar seu PhD ele mudou-se de novo para a fronteira e começou a ensinar na Universidade do Texas em El Paso no programa de mestrado bilíngue.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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