Sinopse Rocco: Resistência narra a trajetória de duas irmãs gêmeas lutando pela sobrevivência na Segunda Guerra Mundial. Pearl e Stasha chegam a Auschwitz em 1944 e ainda vivem sob o encantamento da infância – têm uma conexão muito forte, se entendem, se confortam e brincam juntas. Como parte de um experimento chamado Zoológico de Mengele, as irmãs conhecem o horror e têm suas identidades fraturadas pela dor e pelo sofrimento. No inverno, Pearl desaparece; Stasha chora pela irmã, mas mantém a esperança de encontrá-la viva. Ao final do conflito, Stasha se depara com um mundo em ruínas, uma Polônia devastada pela guerra, e tenta reconstruir sua vida a partir dali. Romance narrado com uma voz poderosa e única, Resistência desafia qualquer expectativa ao atravessar um dos períodos mais devastadores da história contemporânea e mostrar que há beleza e esperança até diante do caos e ganhou elogios da crítica e de autores como Anthony Doerr, de Toda luz que não podemos ver. (Resenha: Resistência – Affinity Konar)

Opinião: Conheci ‘Resistência’ na loja física da Saraiva, no shopping da cidade onde moro. Sabe quando a gente visita uma livraria e ficamos naquele marasmo, perdidos entre tantas propostas e promessas? Então. Eu lia algumas sinopses aqui, outras ali, mas nenhuma me chamava a atenção de fato. Até que encontrei a obra de Affinity Konar. Obviamente, já havia me esbarrado com posts no Instagram a respeito dele, mas nunca parei para saber sobre o que se tratava. Apesar de ter lido pouco acerca do tema, histórias que se passam durante o período da segunda guerra mundial me chamam muito a atenção, porque, geralmente, são narrativas ficcionais (quando ficcionais) muito tenazes que nos relembram os horrores que aconteciam naquela época e nos ajudam a não esquecer – vocês sabem o que acontece quando esquecemos nossa própria história, né? ‘Resistência’, por exemplo, lançado no Brasil em 2017 com tradução de Alyda Sauer, nos entrega o cotidiano de duas irmãs gêmeas, com pouco mais de 12 anos, vítimas dos horrores de cientistas ao serem levadas para os limites de Auschwitz em 1944 e que recorrem à imaginação e à fantasia para superar toda essa realidade cruel e hostil. E, para dar vivacidade à essa história, a autora se baseou na história real de sobrevivência das gêmeas Eva e Miriam, o que torna esse livro ainda mais poderoso e perturbador. Torna ‘Resistência’ um romance de difícil digestão, com gosto amargo, mas extremamente necessário.

Durante aquela viagem de quatro dias e quatro noites, desobedecemos às regras de sobrevivência

– Página 10

‘Resistência’ (Mischling, no original) é uma jornada de sobrevivência e percebemos isso logo nas primeiras páginas. É um romance sobre a crueldade humana, sobre a barbárie que era cometida em nome da razão e ciência (pesquisem por Dr. Mengele). Mas, acima de tudo, ‘Resistência’ é sobre esperança e sobre não desistir. O livro é narrado pelas duas irmãs, Pearl e Stasha, em primeira pessoa e em duas partes, e isso oferece ao leitor a oportunidade de conferir as diferentes visões e concepções das duas acerca do que está acontecendo. Stasha é mais extrovertida, imaginativa e tenta a todo custo proteger a irmã, uma vez que se sente parte (ou dona?) dela. Pearl, por sua vez, é mais contida, mais realista e delicada. Essa contraposição de maneiras de se enxergar a realidade enriquece a obra e nos permite nos aproximarmos ainda mais das personagens. Além disso, a autora trabalha com as palavras de forma muito bonita, como se escolhesse a dedo cada uma delas que compõem a narrativa, além de inserir metáforas e poesia na forma de contar essa triste história. O resultado final disso é brilhante, portanto, preparem seus post-its!

A única coisa que eu sei é que fiquei olhando para o corpo e as únicas palavras em que pude pensar não eram minhas. Eram de uma canção que tinha ouvido num toca-discos contrabandeado para o porão do nosso gueto. Sempre que ouvia aquela música eu melhorava. Por isso experimentei essas palavras.

– Gostaria de balançar numa estrela? – cantei para o corpo.

– Página 18

Brutal e bonito ao mesmo tempo, essa estreia de Affinity Konar no ramo da literatura não poderia ter sido melhor. É digna de todos os elogios recebidos e reconhecimento conquistado. Confesso que tive dificuldades no início em me conectar com a história e personagens, além de ter me deparado com capítulos mais longos, o que propicia uma leitura menos ágil, mas, como já disse, testemunhar as atrocidades não é uma tarefa fácil. Entretanto, o poder da ficção é justamente esse, o de nos aproximar de certas realidades e nos transformar em pessoas melhores. ‘Resistência’ não é só um livro sobre coisas ruins, sobre experimentos desumanos ou sobre morte . A obra, acima de tudo, é sobre amor, perdão e fraternidade. Uma história sensível, narrada por crianças e que vale a pena. Aqui eu reafirmo o que Elle disse: ‘Resistência’ merece ser lido por todos!

A autora: Affinity Konar foi criada na Califórnia e é Mestre em Artes e Ficção pela Columbia University. Ela já trabalhou como tutora, copidesque e editora de livros educacionais infantis. Ela vive em Los Angeles com seu cachorro, Linus. Resistência é seu primeiro romance.

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