Sinopse: Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas. (Resenha: Pax – Sara PennyPacker)

Opinião: Sara Pennypacker entrega aos leitores uma história cheia de conflitos interiores e carregada de fortes sentimentos e descobrimentos, onde é possível visualizar detalhadamente o quão insana a vida pode ser quando menos esperamos.

A história gira em torno de Pax (a raposa) e o menino Peter que a toma quando a encontra sozinha e abandonada. Deste ponto em diante a raposa passa ser o seu animal de estimação. Mas, a vida nunca é perfeita porque já sabemos que o mundo não é perfeito; e a gente precisa de um pouco de adrenalina. E é exatamente isso que o livro traz, a adrenalina percorre os caminhos de Peter e Pax na velocidade da luz abocanhando tudo que é possível.

A autora os coloca no meio de uma guerra onde eles se veem forçado a se separar e com o risco de nunca mais se verem. Peter poderia ter brigado com o pai e insistido em levar a raposa, mas assim como ele, seu pai tem um temperamento incontrolável e já pela idade é difícil e desafiante mudar e é mais confortável permanecer como está do que ter que enfrentar a si mesmo.

O sentimento de culpa invade Peter com brutalidade e o faz se sentir entranho. Levando-o a alimentar o desejo de reencontrar sua raposa que foi abandonada em uma mata fechada com vários perigos.

Tudo bem que Pax é uma raposa e ela tem de saber lidar com seu ambiente natural, porém essa é uma jornada que requer muita paciência, pois, a raposa desde pequena viveu sobre a sombra de um humano e sendo domesticada para ser dócil e feroz nos momentos certos.

O livro entrega aos leitores a jornada deste dois personagens. É interessante como a autora pontua suas dificuldades e como gradativamente e com feridas eles vão atingindo os objetivos e vencendo seus obstáculos.

A presença da guerra na história não é intensa, mas é provocativa com a capacidade de engrenar a trama dos personagens principais. Este pano de fundo traz ao livro um ponto a mais na dramatização dos fatos e faz o leitor sentir todas as dificuldades postas.

É bonito a forma como nos envolvemos com Pax e Peter. Os dois conseguem expor a realidade de uma vida com dificuldades e com paredes pra derrubar e isso só os fazem ficar mais fortes para o próximo desafio.

Embora o livro seja classificado como história infantil ele é necessário pra todas as idades, pois é possível visualizar o retrato das dificuldades e que limites podem ser sim ultrapassados.

Corra o risco de se emocionar, chorar, sentir raiva e pena. Este é um livro distante dos estereótipos e dos lindos e cor de rosa “contos de fadas”. Leiam!

Avaliação: 5 estrelas

A autora: Sara Pennypacker é autora premiada de diversos livros infantis, entre eles a série Clementine. Divide seu tempo entre os estados da Flórida e de Massachusetts, onde, além de escrever, dá palestras em escolas e universidades sobre literatura infantil.

Compartilhar
Artigo anterior10 filmes de terror para assistir nessa sexta-feira 13
Próximo artigoConheça o livro “As coisas que fazemos por amor” de Kristin Hannah
Goiano do pé rachado e comedor de piqui. Alucinado por histórias fantásticas e distópicos. Tributo, Hobbit de nascença, e habitante do país de Aslan. Entre os autores Suzanne Collins é majestade e Tolkien é imperador. Técnico em Química e buscando ser químico industrial intercalado com a vida de escritor, um dia qualquer publicará seu livro. Não dispensa um cinema...

Deixe uma resposta