Sinopse Suma de Letras: Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos. (Resenha: Nightflyers – George R.R. Martin)

Opinião: E se nós tivéssemos a chance de viajar pelo espaço intergalático, o que encontraríamos? Vidas inteligentes ou vidas ainda mais primitivas?

E nós seguimos, seguimos. Pelos abismos escuros aonde ninguém vai, pelo vazio, pelo silêncio interminável, minha Nightflyer e eu os perseguimos.

– Página 8

Essa dúvida povoa a mente de muitas pessoas, sem dúvidas, inclusive a minha. Decidi dar uma chance a essa história justamente por parecer brincar com essas possibilidades, até porque não sou leitor assíduo deste tipo de trama. Apresento-lhes “Nightflyers”, uma novela de ficção científica assinada por um um dos maiores autores de fantasia do nosso tempo, George R.R. Martin (Guerra dos Tronos), lançada em 1980, ganhando o Locus Award um ano depois, em 1981. Naquela época, o homem já havia alcançado, pela primeira vez, a Lua e clássicos como “Alien” conquistavam popularidade, com uma fórmula que unia expedições em planetas alienígenas com suspense e terror. Uma mistura que George tenta repetir aqui, porém sem tanto êxito.

Foi o meu primeiro contato com a escrita de George R.R. Martin e não posso dizer que fiquei decepcionado. Muito pelo contrário! O problema foi que venderam essa historia como sendo de terror (de acordo com a sinopse, “[…] uma novela sobre uma nave espacial assombrada”), mas discordo. Por ser mais enxuta, com 139 páginas, a construção de um clima que desse medo ficou comprometida, portanto essa história acaba funcionando mais como uma aventura espacial com muito sangue. Existe um suspense em segundo plano, que tenta trazer uma reviravolta ao final do enredo, mas, por falta de conectividade com a história e os personagens, acabei não me impressionando tanto. E essa falta de conexão leitor-história é intensificada pela grande quantidade de cabeças: não há tempo para se importar e nem para que eles sejam devidamente desenvolvidos. Um ou outro acaba se destacando, mas nada memorável. A impressão que eu tive, na verdade, é que esse grande número de personagens estava presente apenas para que as mortes pudessem acontecer desenfreadamente.

Você continua três lances à frente, Melantha. Me pergunto se será suficiente. Seu oponente está quatro à frente nesse jogo, e a maioria dos seus peões já caiu. Temo que um xeque-mate seja iminente.

– Página 114

Contudo, entretém. A novela é fácil de ser lida, tirando um ou outro termo mais específico, relacionado a esse universo de ficção científica (leitores mais familiarizados com o gênero se sentirão mais confortáveis). No momento da leitura, não fica muito claro a época em que ela se passa, mas entende-se que seja uma aventura futurística, já que aqui os humanos superaram as barreiras do planeta Terra há muito tempo, estabelecendo contato com inúmeras civilizações pelas galáxias (feita a leitura, acabei descobrindo, em uma entrevista com o autor, que a jornada dos cientistas se passa cerca de 400 anos a frente). É divertido, traz um pouco de representatividade (a protagonista é negra) e a edição oferece ainda algumas ilustrações de David Palumbo que incrementam a experiência. Resumindo: uma trama com direito a telepatas, chocolate quente e seres alienígenas quilométricos.

“Nightflyers” erra em alguns pontos, mas acerta em alguns outros. Brinca com nossas expectativas com relação à vida para além de nossa atmosfera. E, além disso, virou uma série de 10 episódios pela SyFy e Netflix. Vão encarar essa expedição?

O autor: Nasceu em 1948, em Nova Jersey, e formou-se em jornalismo pela North Western University, em Chicago. Em 1996, começou a publicar a série de fantasia As Crônicas de Gelo e Fogo, que alcançou o topo da lista de mais vendidos e consagrou o autor como um dos cânones da literatura fantástica. Seus livros já venderam quase 5 milhões de exemplares no Brasil.

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