Sinopse Faro Editorial: Em 2004, Benjamin Simons deixa o orfanato em que viveu desde a infância para ajudar alguns parentes num momento difícil: com sua tia debilitada e o tio trabalhando dia e noite, precisavam de alguém para tomar conta de sua prima Carla, de apenas cinco anos de idade. No entanto, certa madrugada, a tranquilidade da colina de Darrington é interrompida por um estranho pesadelo, que vai tomando formas reais a cada minuto. Logo, Ben descobre-se preso numa casa que abriga mistérios, onde o inferno parece mais próximo e o mal possui uma força evidente. Passaram-se mais de 10 anos. Isso tudo aconteceu quando Ben estava com dezessete anos, e foram experiências das quais ele preferia esquecer completamente… Mas aquele passado o acompanha de perto. Ben sente que precisa voltar e sabe que, ou desvenda tudo ou sempre viverá com medo. Então, ele decide contar, e traz numa narrativa angustiante e rica em detalhes tudo o que viveu e todas as batalhas impensáveis que travou para tentar manter a si próprio e a jovem prima em segurança. E se descobre no centro de uma conspiração capaz de destruir até a sua própria sanidade. Onde termina o inferno e começa a realidade?

Opinião: Li tantas resenhas exaltando este livro que criei expectativas astronômicas e fui logo com sede ao pote para embarcar na leitura. O resultado acabou sendo a decepção do ano. Apontada como uma história aterrorizante, a trama da Colina de Darrington me soou inocente e infantil demais, sem nenhum traço que pudesse causar aquela perturbação incômoda que as boas histórias de terror normalmente provocam.

Narrado em primeira pessoa, numa linguagem prá lá de simples, Horror na Colina de Darrington acompanha Benjamin Simons durante sua nada agradável estadia junto aos tios numa casa situada no local que dá nome ao livro. Com a tia doente presa à cama, Benjamin passa os dias cuidando da sobrinha Carla enquanto o tio garante o sustento da casa trabalhando. E é nesse cenário que estranhos acontecimentos passam a perturbar sua paz. Tem início, então, uma sequência de episódios bizarros e sobrenaturais que colocam em xeque a sanidade do protagonista.

Entrar em mais detalhes significa começar a dar spoilers, então falemos dos deméritos da história, que não são poucos. Em primeiro lugar, situar a trama nos Estados Unidos não convenceu e ficou inverossímil demais. Durante toda a leitura, as falas dos personagens, as referências de localização, as próprias situações do cotidiano, entre outros, me passaram claramente um DNA de Brasil, aquele estilozão interiorano brasileiro. Em nenhum momento consegui assimilar a história como algo norte-americano. Faltou uma imersão na cultura e no jeito americano de ser. O resultado foi uma trama bem nacional com nomes em inglês.

Já a diversidade de acontecimentos (fantasmas, almas, seitas…) se entrelaçando dentro do ritmo ágil da narrativa deixou muitos fios soltos. Num resumo geral, o livro é uma miscelânea de clichês de terror colocados ao acaso para tentar “dar medo”, sendo que qualquer um se bem desenvolvido dispensaria o uso dos demais.

O estilo veloz de contar a história, que poderia funcionar a seu favor, acabou contribuindo para seu desastre completo. Tudo foi tão jogado nessa pressa de assustar o leitor que não houve um desenvolvimento que conferisse o mínimo de veracidade à trama. Sim, veracidade! Por mais que seja ficção, um bom terror envolve o leitor a ponto de fazer daquela fantasia algo real, e aí gerar os medos, incômodos e sustos. Francamente, não se assusta ninguém apenas mencionando corpos pendurados no teto. É preciso criar uma atmosfera, boa, para que essa imagem cause medo.

A ideia-base de Horror na Colina de Darrington é muito boa, mas desde as primeiras frases, o livro já deixa bem evidente seu jeitão de filme B. As expectativas que criei acabaram sendo frustradas por um conjunto final bem distante daquilo que eu esperava. Não é um livro que vai assustar leitores acostumados com terror de verdade. Talvez se lido como conto infantil possa tirar o sono dos pequenos.

Avaliação: 1 Estrela

O Autor: Marcus Barcelos nascido e criado no Rio de Janeiro, Marcus Barcelos é graduando em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá.  Ávido por literatura e escritor amador desde os 10 anos de idade, possui diversos textos, contos, resenhas, crônicas e poesias publicadas na internet e em antologias publicadas por diversas editoras. Tem como inspiração os grandes mestres do terror e suspense Stephen King, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft.  Além da paixão por literatura, Marcus também tem paixão pelos esportes. É treinador de boxe da Federação do Estado do RJ e surfista nos finais de semana.

Compartilhar
Artigo anteriorA Torre Negra estreia liderando bilheterias nos EUA
Próximo artigoFortaleza Impossível: lançamento da Arqueiro te leva aos anos 80
Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

Deixe uma resposta