Sinopse Quatrilho: Carina não precisa de ajuda, só precisa de alguém que a escute. Esse é o argumento central de Fixação, um suspense que leva o fôlego do leitor ao limite. Estudante de medicina em Campinas (SP), a jovem retorna a Porto Alegre onde, ao seu jeito despojada e misteriosa, costuma caminhar, de tênis All Star, sob as copas das árvores do parque Moinhos de Vento. Até o dia em que chega ao consultório de Carlos, psiquiatra que, reabilitado de uma forte depressão, volta a clinicar. Desse relacionamento médico/paciente, que dura não mais do que quatro sessões de psiquiatria (a pedido da paciente), irrompe a atmosfera de tensão, obsessão e fixação. Ao término de cada sessão ficam suposições que levam Carlos a “investigar” a vida da paciente. (Resenha: Fixação – Bruno Atti)

Opinião: O suspense nunca foi um gênero expressivo na literatura brasileira e historicamente contamos poucos nomes que se aventurassem e conseguissem destaque com trabalhos de qualidade nessa seara. Rubem Fonseca, meu preferido entre os “gigantes”, se soma a Marcos Rey, da saudosa série Vaga-Lume, e a Luís Alfredo Garcia-Roza, em uma lista pessoal que eu faria. Sobram, então, lacunas de períodos em que não vimos surgir nada muito interessante, onde podemos destacar, talvez, Tony Bellotto.

A partir do estrondoso sucesso e talento de Raphael Montes, uma luz se acendeu nas editoras que começaram a dar mais visibilidade ao gênero, e começaram a aparecer com mais força títulos de qualidade ou a caminho dela. Hoje, acredito que o suspense, aliado também ao terror, já ocupou um espaço definitivo na literatura brasileira e cabe a nós, leitores compulsivos, observarmos o que tem sido produzido e que vale a pena ser destacado. E vamos a uma dessas obras…

Publicada em 2018 no Rio Grande do Sul, Fixação, de Bruno Atti, é uma interessante história de mistério com uns tons sobrenaturais, bem com aquele jeitão clássico em que nada se explica e tudo se complica até chegar o desfecho. A trama é bem simples, trazendo inúmeros clichês do gênero, mas já disse diversas vezes que não considero isso um demérito quando bem usados. No caso de Bruno, boa parte deles funcionou tranquilamente a serviço da história contada.

Pensem, então, no banal: um psicólogo recebe uma paciente misteriosa que dá as regras de como vai funcionar sua consulta. O caso que ela tem a contar se desenrola por quatro sessões, começando confuso e terminando de forma trágica. Enquanto isso, a vida do psicólogo Carlos, já bastante atribulada por um histórico de drogas e um divórcio traumático, passa a ser povoada por acontecimentos estranhos e inexplicáveis. O mesmo afeta sua secretária. Tudo indica que a paciente, Carina, possa ser a fonte dessa perturbação. Tem início o suspense que, obviamente vai se complicar até um desfecho interessante e uma última página que para uns pode soar tenebrosa, mas no meu gosto peculiar foi de um humor negro maravilhoso.

A escrita de Bruno é coloquial e faz o livro ser devorado tranquilamente em um dia. O estilo do sul do país ecoa nas páginas tanto nos diálogos quanto em situações do cotidiano e também contribui para o lado interessante da história. Mas Fixação deixa a desejar no desenvolvimento de algumas situações, principalmente no protagonista Carlos. O médico que começa o livro é bem diferente do médico que conversa ao telefone com um investigador da polícia já nas partes finais, por exemplo. Atitudes bruscas e irracionais não encontram uma explicação no estilo de personagem que nos foi apresentado. Mesmo entendendo que tudo estava a serviço da trama a ser narrada, soou inverossímil demais.

Mas se nos detalhes Fixação esbarra em pequenos problemas, no conjunto, ele é um livro que deixa claro o talento de criação de seu autor. É uma história que eu compararia com lendas urbanas que circulam por aí. Aquele tipo de causo que sempre algum amigo tem a contar, afirmando ser verdade absoluta, num bate-papo de fim de noite. É uma obra interessante, com boa pesquisa e que reúne qualidades de um bom livro de mistério. Bruno é um autor promissor e Fixação merece a leitura de vocês.

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Avaliação:

 

O Autor: Bruno Atti é formado em Farmácia pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Iniciou sua carreira literária em 2015, com o lançamento do livro “O Legado do Führer”. A obra figurou entre as mais vendidas da Feira do Livro de Caxias do Sul/RS e teve a primeira edição esgotada em menos de um ano. Em 2017, aos 34 anos, lançou seu segundo romance, batizado de “Praia da Rocha”.

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Jornalista e aprendiz de serial killer. Assumidamente um bookaholic, é fã do mestre Stephen King e da literatura de horror e terror. Entre os gêneros e autores preferidos estão ficção científica, suspense, romance histórico, John Grisham, Robin Cook, Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Saramago, Vargas Llosa, e etc. infinitas…

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