Resenha: Baseado em Fatos Reais – Delphine de Vigan

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Sinopse Intrínseca: Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê diante da temível pergunta: o que vem depois de um texto tão pessoal, que comove tantos leitores? A inércia. O sucesso a fragiliza a tal ponto que a deixa completamente vulnerável. Ela não consegue mais escrever nem uma linha, nem sequer se sentar diante do computador ou segurar uma caneta. Está esgotada, e vive assombrada pela pressão da próxima obra.

Nesse cenário de fragilidade, Delphine conhece L., uma mulher sofisticada, confiante, feminina, carismática e atraente. L. parece ter um passado misterioso, trabalha como ghost-writer, e entra de modo insidioso na vida da escritora, que vê na amizade uma forma de superar seu bloqueio criativo. L. é a amiga perfeita, sempre disponível, e logo passa a interferir nos aspectos mais íntimos da vida de Delphine. O domínio de uma sobre a outra é inesperado. A conexão entre elas parece… inacreditável.

Crítica: Sabe o tal bloqueio criativo? Aqueles momentos em que você fica encarando uma folha em branco e….. Nada? Pois bem, esse é o ponto de partida de Baseado em Fatos Reais, o primeiro livro da aclamada escritora francesa Delphine de Vigan a ser publicado no Brasil.

Delphine é uma escritora cujo livro com experiências pessoais e familiares vendeu milhões de exemplares e fez um enorme sucesso com o público. Agora ela vive a pressão pela próxima história e não consegue escrever mais nada. Ah, estamos falando de Delphine personagem, e não da autora do livro. Isso mesmo! Como vocês perceberam na sinopse, a personagem tem o mesmo nome da autora e em diversas entrevistas concedidas, De Vigan reconheceu que passou por diversas situações semelhantes às relatadas na obra, incluindo o bendito bloqueio criativo vindo após um livro de sucesso estrondoso.

A escrita é leve e evolui de forma meticulosa. Não há pressa para se chegar a nenhum clímax. Acompanhamos os relatos de Delphine sobre determinado período de sua vida, sua relação amorosa, a saída dos filhos de casa para estudos, a angústia na busca do tema do próximo livro e o momento em que conhece L.

L. já é apresentada como alguém que desempenhou papel vilanesco. Já somos prevenidos do que esperar dela, e Delphine vai nos mostrando os comportamentos duvidosos que L. tinha, os pontos estranhos, e ao mesmo tempo faz seus mea-culpa por ter se deixado envolver tão facilmente. O clima de thriller de suspense é claro, porém fraco. A trama até ameaça ganhar algum tom mais agitado próximo ao fim, mas fica na ameaça.

No fim das contas, todas as situações envolvendo Delphine e L. nos levam para o debate sobre se existe uma ficção absoluta nas histórias contadas nos livros ou se a realidade pode se esconder por trás de alguns pontos. E isso vale para o contrário também: existe uma realidade absoluta ou traços de ficção podem aparecer para enfeitar melhor o cenário? É possível separar um do outro? Esse é o cerne da obra.

O resultado é um livro para ser lido com muita atenção e que pode soar extremamente tedioso em muitos momentos. Apesar de um estilo leve de narrativa, a história exige concentração. Acho uma leitura válida e encorajo quem se dispor a encarar, mas não o coloco numa lista de recomendações.

O livro será adaptado para o cinema sob a direção de Roman Polanski (O Pianista). Pode ser um dos raros casos em que o filme resulte em algo melhor que o livro.

A Autora: Delphine de Vigan tem livros publicados em todo o mundo. Seu primeiro romance, Jours sans faim, foi lançado sob o pseudônimo Lou Delvig e abordava a luta contra a anorexia. Ela também é autora de No et moi, adaptado para o cinema por Zab ou Breitman, além de Les Heures souterraines e Rien ne s’oppose à la nuit, obra autobiográfica de grande sucesso, vencedora do Prix du Roman FNAC e do Prix Renaudot des Lyceens em 2011

Avaliação: 3 Estrelas

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