Sinopse Intrínseca: No livro da vida de Justine, desde a infância, todos os capítulos parecem iguais. Aos 21 anos, ela mora em um pequeno vilarejo da Borgonha com os avós e o primo, Jules, desde que os pais de ambos morreram em um acidente de carro. Em meio ao marasmo, três coisas trazem luz para seu cotidiano: as peripécias de Jules, que está mais para um irmão; as noites de sábado que passa dançando na boate; e seu emprego como auxiliar de enfermagem na Hortênsias, uma casa de repouso onde grande parte dos seus turnos é dedicada a ouvir os relatos dos idosos que vivem ali. (Resenha: Os Esquecidos de Domingo – Valérie Perrin)
Opinião: Sabe aquele livro que te pega pela mão e te conduz com uma delicadeza absurda por temas que, em outras mãos, poderiam ser pesados demais? Pois é, Os Esquecidos de Domingo é exatamente assim.
Esse livro é a estreia de Valérie Perrin na literatura e já deixa claro como ela sabe misturar humor, sensibilidade e aquela dose certeira de drama que faz a gente terminar a leitura com um leve sorriso de satisfação no rosto.
A história de Os Esquecidos de Domingo nos apresenta a Justine, uma protagonista narradora simplesmente encantadora. Ela é uma jovem que, ao contrário do que se esperaria da sua idade, se sente muito confortável vivendo entre os idosos na casa de repouso onde trabalha. Ali, ela desenvolve uma conexão profunda com a Hélène, uma senhora que já tem um comprometimento cognitivo e vive em um mundo à parte, acreditando estar sempre em uma praia.
Conforme a convivência cresce, a Hélène vai soltando os fios da meada de uma grande história de amor do passado, vivida com um tal de Lucien. Justine, fascinada, resolve registrar tudo em um caderno. É aí que a história vai ser dividir em duas camadas: de um lado, acompanhamos o cotidiano da Justine e os mistérios que cercam sua própria família no presente; do outro, mergulhamos no romance de Hélène e Lucien, marcado por altos, baixos e segredos que vão sendo revelados aos poucos.
O título do livro, aliás, é um dos mais sensíveis que encontrei ultimamente. Quem já visitou ou teve contato com casas de repouso entende bem o peso disso: os “esquecidos de domingo” são aqueles idosos que ficam lá, esperando por uma visita que nunca acontece, justamente no dia que costuma ser o ponto de encontro das famílias. É uma reflexão muito bonita sobre o envelhecimento e o abandono afetivo.
A escrita da Perrin é deliciosa, ágil e muito envolvente. É o típico livro que a gente devora porque quer saber como as peças desse quebra-cabeça entre passado e presente vão se encaixar. É uma história tocante, bonita e que deixa a gente pensando no nosso próprio lugar no mundo e na forma como lidamos com o passar do tempo.
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A Autora: Valérie Perrin nasceu em 1967, em Remiremont, e cresceu na Borgonha. Fotógrafa e roteirista, já ganhou diversos prêmios, teve suas obras publicadas em cerca de sessenta países e se tornou uma das escritoras francesas mais lidas do mundo. É autora de Água fresca para as flores, Três e Querida tia, publicados pela Intrínseca. Lançado na França em 2015, Os esquecidos de domingo é seu romance de estreia.






