Sinopse Aleph: Verdadeiro marco na história da ficção científica, “Eu, robô” reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres Três Leis da Robótica: os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência. (Resenha: Eu, Robô – Isaac Asimov)
Opinião: Em um mundo em que cada vez mais as máquinas ocupam espaço executando ações humanas, agilizando processos, facilitando fluxos e “pensando” por nós, mergulhar nas obras de Isaac Asimov é um interessante exercício de comparação entre o que foi imaginado e o que realmente virou ou está se tornando realidade. Além disso, as nuances de suas histórias nos fazem refletir sobre os perigos, limites e cuidados dessa intensa e irreversível robotização.
Eu, Robô é a leitura ideal para começar a explorar a obra do Bom Doutor, como Asimov era conhecido. O livro é uma coletânea de nove histórias curtas que apresentam o universo dos robôs em tramas instigantes, onde as Três Leis da Robótica, definidas pelo próprio Asimov, são postas à prova.
Narrado a partir de uma entrevista com Susan Calvin, psicóloga roboticista, Eu, Robô acompanha a evolução dos autômatos desde as primeiras máquinas, bem primitivas, até os robôs pensantes, capazes de tomar decisões e executar inúmeras tarefas, substituindo a força humana em atividades de risco pela galáxia.
Como toda coletânea, Eu, Robô tem seus altos e baixos, com histórias que envolvem mais e outras que se arrastam um pouco. O ponto alto é ver como Asimov aplica de forma inteligente os dilemas envolvendo as Três Leis da Robótica e cria enredos variados e reflexivos, como o robô Cutie, que se entrega a um fervor religioso em “Razão”, ou a dúvida se um influente político era um robô em “Evidência”.
O livro tem um desenvolvimento leve e, pelos olhos de hoje, um toque nostálgico de uma era em que robôs eram vistos como invenções que facilitariam a vida humana. Uma comparação interessante é com “Os Jetsons”, onde a simpática Rosie faz o papel de robô doméstica. Um ótimo exemplo disso é o conto “Robbie”, sobre a adoração de uma menina por seu robô-babá.
Essa leveza vem da proteção que o próprio Asimov deu à humanidade com suas Três Leis, sendo a primeira delas a mais famosa: “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido”.
Conforme o leitor avança na obra de Asimov, nota um aprofundamento nas discussões sobre máquinas e homens, sem nunca cair no pessimismo. Ele não vê robôs e IA como ameaças catastróficas, diferente de obras como a Space Opera Hyperion, onde as IAs têm um papel de controle e decisão.
De 1939, quando a primeira história foi escrita, até 1950, quando a coletânea foi finalizada e lançada, Eu, Robô percorre mais de uma década de evolução dos robôs pela visão de Asimov. Para além disso, vale reforçar que sua influência vai muito além da ficção científica e continua relevante até hoje, inspirando discussões sobre o impacto da tecnologia na nossa vida.
Em um momento em que inteligência artificial e automação já estão mais do que presentes no nosso dia a dia, revisitar os dilemas de Eu, Robô é um passeio instigante para leitores do século XXI e um excelente ponto de partida para conhecer um dos maiores autores de ficção científica do mundo.
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Eu, Robô
O Autor: Isaac Asimov nasceu em Petrovich, Rússia, em 1920. Naturalizou-se norte-americano em 1928. O Bom Doutor, como era carinhosamente chamado pelos fãs, escreveu e editou mais de 500 livros, entre os quais a série Fundação e as histórias de robôs que inspiraram filmes como O Homem Bicentenário e Eu, Robô. Além de mundialmente famosas obras de ficção científica, Asimov alcançou sucesso também com tramas de detetive e mistério, enciclopédias, livros didáticos, textos autobiográficos e uma impressionante lista de trabalhos sobre aspectos variados da ciência. Morreu na cidade de Nova York, em 1992.