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Resenha: A Delação – John Grisham

Sinopse Rocco: Lacy Stoltz trabalha para o Conselho Judicial da Flórida e investiga a atuação da juíza Claudia McDover no processo que autorizou a construção de um cassino em terras indígenas, abrindo caminho para a ampliação dos negócios de um certo Vonn Dubose. Ganancioso e nada ético, Dubose não mede esforços para alcançar seus objetivos, comprando o apoio da juíza McDover numa trama que envolve falcatruas e assassinato, e que colocará em risco até mesmo a vida de Lacy Stoltz e seus colegas do Conselho de Conduta Judicial. (Resenha: A Delação – John Grisham)

Opinião: John Grisham construiu sua sólida carreira de best-seller a partir de tramas pesadas que exploraram a fundo diversas – algumas inimagináveis, nuances do sistema jurídico norte-americano. Em A Delação, pela primeira vez, ele trabalha o tema da corrupção na alta esfera das tomadas de decisões, colocando uma juíza no centro de sua trama. Fica nítido que o autor se mantém em constante sintonia com as temáticas que vão dominando as notícias na vida real e adaptando-os para as realidades de sua ficção. Que nem é tão fictícia assim.

No universo da magistratura norte-americana, em alguns estados os juízes são eleitos por votação popular mediante eleições com campanha tal qual temos para nossos cargos políticos cá no Brasil. Os condados, subdivisões administrativas dos estados, elegem seus juízes para cumprir mandatos passíveis de reeleição, e é assim que chegamos na brilhante trajetória da juíza Claudia McDover. Sua carreira começou de forma natural na advocacia até o dia em que não só concorreu como derrotou um velho juiz que acumulava incontáveis reeleições e parecia imbatível. Acima de qualquer suspeita e com uma atuação notável, McDover levava uma vida pessoal incompatível com seus rendimentos. Mas poucas pessoas tinham conhecimento disso. Até o momento em que alguém decidiu abrir a boca.

A Delação segue à risca a sequência narrativa do autor que faz tudo fluir de forma envolvente em um encadeamento de fatos que prende o leitor desde a primeira página. É o típico livro para ser devorado em questão de poucas horas ou dias. Grisham mergulha no mundo das propinas, dos juízes comprados e de certas sentenças fabricadas para beneficiar grandes esquemas que rendiam milhões de dólares. Junta a isso o instrumento da delação e entrega um livro com uma trama pra lá de familiar aos brasileiros. Impressiona o fôlego do autor para, mesmo depois de tantas décadas, ainda conseguir nos envolver com histórias que bem ou mal carregam elementos muito similares e se resumem a um único eixo temático.

Decepciona, no entanto, perceber que A Delação, a exemplo de alguns outros livros mais recentes de Grisham, deixa a desejar no conjunto total da obra. Principalmente se compararmos com os livros que mais marcaram a carreira do autor e se mantém com boas vendas até hoje. O que mais sinto falta, e acreditem, eu sinto muita falta mesmo, são as grandes batalhas jurídicas, como em O Júri, O Cliente ou A Firma, isso só para citar três exemplos.

A Delação situa-se nas obras que vou classificar como “meio do caminho” entre os thrillers consagrados e aqueles mais fracos. Não é um livro ruim e vale tranquilo para distrair fãs e novos leitores, mas deixa uma boa dose de nostalgia dos “velhos tempos”.

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Do Autor leia também:

A Lista do Juiz

Tempo de Perdoar

Cartada Final

Acerto de Contas

Justiça a Qualquer Preço

A Delação

O Homem Inocente

Esquecer o Natal

O Júri

O Dossiê Pelicano

A Firma

Tempo de Matar

O Autor: John Grisham é ex-político e advogado aposentado. Incentivado por sua mãe, desenvolveu cedo o hábito da leitura e se tornou um admirador das obras de John Steinbeck, prêmio Nobel de literatura em 1966. Escolheu o Direito como área de atuação, tornando-se advogado especializado em defesa criminal e processos por danos físicos. Escrevia nas horas em que o seu trabalho lhe permitia, e logo publicou seu primeiro livro, Tempo de Matar, em 1989. Seus livros giram sempre em torno de questões de advocacia, e geralmente criticam nuances do sistema judiciário americano e das grandes firmas de direito. Desde maio de 1998 a Universidade do Estado do Mississippi possui uma sala de leitura com o seu nome. Em 2006 figurou na Top 100 Celebrites da revista Forbes. Vive com sua esposa, Renée e suas duas crianças Ty e Shea. Um dos autores mais vendidos no mundo, é o sexto escritor com mais livros vendidos na década de 2000, segundo a Nielsen BookScan, e também o sexto escritor mais lido nos Estados Unidos, segundo a Publishers Weekly.

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