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Resenha: As Mulheres-Leão de Teerã – Marjan Kamali

Sinopse TAG – Experiências Literárias: Teerã 1950. Duas meninas se encontram por acaso e constroem uma amizade intensa e transformadora, compartilhando sonhos e ambições. Até que a vida as separa: uma delas ascende socialmente enquanto a outra parece ficar para trás. Anos depois, já adultas, elas de reencontram em um Irã à beira do colapso político. Em meio a ciúmes, privilégios e escolhas difíceis, uma traição abala tudo – e redefine para sempre o destino das duas. (Resenha: As Mulheres-Leão de Teerã – Marjan Kamali)

Opinião: As Mulheres-Leão de Teerã é um livro em que a gente mergulha em alguns dos principais acontecimentos da história do Irã no século XX através da relação de amizade entre duas meninas, Ellie e Homa. Acompanhamos essas personagens desde a infância até a vida adulta, enquanto o país passa por transformações profundas, revoluções e mudanças que alteraram completamente a sociedade iraniana, especialmente a Revolução Islâmica de 1979.

O grande eixo da narrativa de As Mulheres-Leão de Teerã é essa amizade das protagonistas. Ellie vem de uma família de classe social mais alta. Já Homa cresce em uma realidade muito mais simples, em que o trabalho e a luta cotidiana fazem parte da vida desde cedo.

Essa diferença aparece em detalhes importantes. A mãe de Ellie, por exemplo, não trabalha e nem cogita essa possibilidade. Vem de uma tradição ligada ao privilégio e ao conforto. Já a mãe de Homa faz os serviços domésticos em casa e o pai também trabalha e ainda carrega posicionamentos políticos ligados ao comunismo.

É justamente a partir da amizade com Homa que Ellie começa a conhecer melhor o mundo. Homa é destemida, irreverente, cheia de sonhos. Quer estudar, quer fazer faculdade, quer ser juíza, quer mudar o país. Ellie, que até então vivia numa bolha mais protegida, passa a enxergar outras possibilidades de vida e de futuro.

Então, de um lado, o livro trabalha a força da amizade, uma amizade que atravessa o tempo, as diferenças de classe, as decepções e até traições. De outro, o livro entrega um pano de fundo histórico muito rico, que talvez seja um dos seus pontos mais fortes.

As Mulheres-Leão de Teerã mostra como a sociedade iraniana, ainda sob o governo do xá, vivia um processo em que as mulheres conquistavam espaço, direitos e possibilidades. As mulheres podiam estudar, sonhar e projetar futuros mais livres. E o livro também mostra como, com a Revolução Islâmica de 1979, muito disso é rapidamente retirado, e elas passam a viver sob um regime teocrático cheio de limitações.

Ao mesmo tempo, a narrativa destaca a força dessas mulheres. É daí que vem a ideia das mulheres-leão. Mulheres como Homa, que não abaixam a cabeça, que seguem lutando, que enfrentam obstáculos e continuam buscando direitos, dignidade e progresso.

Esse talvez seja o coração emocional do livro: a coragem feminina diante de estruturas políticas e sociais opressivas.

Também é interessante ver essa obra chegando ao Brasil em um momento em que o mundo volta a olhar para o Irã por causa de conflitos e tensões internacionais. Em meio a tantas notícias sobre guerra e geopolítica, o livro oferece outra porta de entrada: o olhar humano, íntimo e histórico de uma autora ligada àquela realidade.

Por meio da ficção, a gente entende melhor como o regime atual iraniano chegou ao poder, por que teve apoio em determinado momento e como essas mudanças impactaram diretamente a vida das pessoas comuns, especialmente das mulheres.

Então, para além de uma boa história, As Mulheres-Leão de Teerã também oferece aprendizado histórico e amplia repertório sobre um país de passado riquíssimo, herdeiro da antiga Pérsia e de enorme importância cultural. Um livro que combina emoção, amizade e contexto histórico de forma muito acessível, e que vale a pena ser lido.

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A Autora: Marjan Kamali é autora best-seller do New York Times. Seus romances já foram publicados em mais de 30 idiomas. Formada em Literatura Inglesa pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, possui um MBA pela Universidade Columbia e um MFA em escrita criativa pela Universidade de Nova York.

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