Sinopse: Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados. Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe. Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia. Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.

Opinião: Após conhecermos Ged (Gavião) em o Feiticeiro de Terramar, neste segundo volume, As Tumbas de Atuan, nos deparamos com um novo personagem. Tenar é uma garota que vive num pequeno vilarejo com seus pais, não sabendo que estaria destinada a se tornar a Sacerdotisa Renascinda, um espirito que segue um ciclo milenar e que passa para uma outra garota quando a última morre.

“No interior do círculo da muralha, diversas pedras negras, entre 5 e 6 metros de altura, brotavam da terra como dedos enormes. Depois de vê-las, o olhar sempre voltava para elas. Ali se erguiam cheias de significação, mas ninguém sabia o que queriam dizer. Eram nove. Uma se erguia ereta, outras ficavam mais ou menos inclinadas, duas haviam caído. Tinham uma crosta cinzenta de líquen, como se fosse borrões de tinta – todas menos uma, nua e negra com o brilho fosco, além de lisa. Nas outras sob o líquen, podia-se ver ou tocar com os dedos uns entalhes vagos, formas, sinais. Essas nove pedras eram as Tumbas de Atuan. Estavam ali, segundo se dizia, desde o tempo dos primeiros homens, desde a criação de Terramar. “

Portanto, a partir daí conhecemos a saga da nossa heroína. A pequena Tenar é encontrada aos 6 anos e levada para As Tumbas de Atuan, onde se cultua o Deus-Rei e os Inominados; seres místicos, como se fossem deuses da escuridão. Tivemos um primeiro contato com estes seres no volume um, quando o nosso héroi Gavião o confronta numa ilha deserta. Ao chegar nas Tumbas, Ternar “perde” o seu nome e começa a ser chamada por Arha. Logo são passados todos os ensinamentos e cultos para ela, toda rotina que terá que seguir.

Passam-se cerca de 10 anos e Arha já está totalmente habituada à sua rotina, até que ela se depara com um homem de feições escuras e rosto cicatrizado, dentro das Tumbas, tentando roubar um dos tesouros guardados, este tesouro é o anel de Erreth- Akbe, e é aí que entra o nosso herói do primeiro volume. Ged está mais velho, amadurecido com tudo o que aconteceu na sua viagem ao arquipélago de Terramar, o encontro com um grande dragão numa das ilhas, e o embate com o seu Eu maligno. É a partir desse encontro entre a pequena Arha e Ged que tudo o que ela conhecia como mundo entra em conflito; sua religião, suas escolhas, o destino que foi traçado para ela.

“A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito levar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim. “

Neste segundo volume, Le Guin nos põe em questão acerca do que podemos escolher para trilharmos nosso próprio destino. Não é porque o que é imposto pelas religiões que temos mais familiaridade ou pelo que a sociedade imprime para nós, que não devemos colocar em questionamento se são essas diretrizes mesmo que irão nos moldar. Mesmo titubeando sobre o que pode acontecer quando escolhemos andar contra a maré, temos que enfrentar os nossos medos e construir o nosso próprio destino.

Avaliação: 4/5 estrelas

Autora: Ursula K. Le Guin nasceu em outubro de 1929 em Berkeley, na California, e é filha do antropólogo Alfred Kroeber e da escritora Theodora Kroeber. Estudou na Radecliffe College e na Universidade de Columbia e se casou, em Paris, com o jovem historiador Charles Le Guin. A autora tem uma vasta obra, que inclui poesia, contos e romances, publicada e traduzida no mundo todo. Foi vencedora dos mais renomados prêmios da literatura fantástica: Hugo, Nebula, Locus, Asimov, Lewis Carrolll, Shelf, World Fantasy, entre outros. Por O feiticeiro de Terramar, recebeu ainda o prêmio Horn Book, do jornal The Boston Globe.

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