Resenha: Katmandu e outros contos – Anna Maria Martins

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Sinopse Editora Global: Considerada como a contista do nosso tempo, Anna, neste seu terceiro livro, empreende a desmontagem do edifício erguido pela sociedade de consumo, que reduz o homem à condição de número, revelando o drama do mundo contemporâneo. Utilizando uma linguagem enxuta e desprovida de artifícios, em suas páginas o leitor será testemunha das angústias de nosso tempo, retrato sem retoques da condição humana.

Opinião: A Global Editoria, nossa parceira aqui no Leitor Compulsivo, nos presenteou com uma das obras de uma das maiores contistas brasileiras, Anna Maria Martins. “Katmandu e outras histórias” (1983) é uma coleção de vários contos, a maioria escritos na década de 1970 e que, até hoje, são atuais e podem conversar perfeitamente com todos os problemas e frustrações do século XXI.

Com humor, drama, questionamentos e uma linguagem crua e verdadeira, os textos de Anna Maria Martins passeiam por trivialidades do dia a dia, diferenças sociais, marcas da Ditadura Militar e até problemas que atormentam todos àqueles que se dispõem a escrever: o exercício de escrever. E, talvez por isso, sejam tão atemporais.

“Como o marceneiro em seu ofício afia os instrumentos de trabalho, o escritor deve estar sempre afiando a sua pena”
Impotência (nada a ver com a sexual)

Pessoalmente, o conto que mais me marcou foi “Jantar em Fazenda”. Em poucas páginas, o eu-lírico descreve um encontro entre pessoas ricas e, mesmo sendo uma delas, já que também está ali, tece críticas sobre a posição de cada um. O narrador aproveita para pontuar como os outros personagens, ricos, bem-sucedidos e elitistas, criticam os movimentos sociais e as pessoas de “esquerdinha”.

Com um contexto social e político bem diferente do nosso, “Katmandu e outras histórias” é um retrato de um Brasil censurado, de diferenças sociais e políticas gritantes, de protesto e contestação. Qualquer semelhança com o agora não é pura coincidência.

Avaliação: 4 estrelas

Sobre o autor: Nasceu na capital de São Paulo. Filha de Renato de Andrada Coelho e Lúcia do Amaral de Andrada Coelho, descendentes de tradicionais famílias paulistas, é viúva do escritor e acadêmico Luís Martins. Fez os cursos primário e secundário no Ginásio Stella Maris, em Santos (SP). Matriculou-se na Faculdade Sedes Sapitentiae, Departamento de Línguas Anglo-germânicas, cujo curso não concluiu. Estudou também na Cultura Inglesa e na Aliança Francesa. Esteve nos Estados Unidos várias vezes, a partir de 1948; e na Europa em 1950, 1973 e 2003. Diretora da União Brasileira de Escritores (UBE), trabalhou como assessora cultural do ex-vice-presidente Almino Affonso (1988-1990). Dirigiu a Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade (de abril de 1991 a janeiro de 1995) e foi consultora na Ferrovia Paulista – S.A. – Fepasa, na área de Restauração e Recuperação do Patrimônio Histórico (1996-1999). É diretora da Academia Paulista de Letras. Em 1973 foi agraciada com o Jabuti, categoria revelação.

Origem - Dan Brown - Editora Arqueiro
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Carioca de nascimento e juiz-forana de todo o resto, Iracema Martins é jornalista por vocação, paixão e formação. Cresceu em uma casa cercada de livros, cultura, história e política, seus tópicos favoritos para conversas. Além de ser apaixonada por livros, assiste mais séries do que consegue acompanhar, não vive sem música e ama cinema.

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