Resenha: Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

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Sinopse Companhia das Letras: Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e – em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são “anti-africanas”, que odeiam homens e maquiagem ­- começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Opinião:  Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Eu, como mulher, não poderia deixar a data passar em branco, por isso escolhi um livro que acredito ser deveras importante. “Sejamos Todos Feministas” (2014) é um ensaio incrível, adaptação do belo discurso de Chimamanda Ngozi Adichie no TEDx Euston. É um manifesto de como devemos educar as crianças para que meninos e meninas cresçam longe das garras do machismo que oprime não só mulheres, mas também homens.

“Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece. Não ensinamos os meninos a se preocupar em ser “benquistos”. Se, por um lado, perdemos muito tempo dizendo às meninas que elas não podem sentir raiva ou ser agressivas ou duras, por outro, elogiamos ou perdoamos os meninos pelas mesmas razões. Em todos os lugares do mundo, existem milhares de artigos e livros ensinando o que as mulheres devem fazer, como devem ou não devem ser para atrair e agradar os homens. Livros sobre como os homens devem agradar as mulheres são poucos”.

Curtinho e de fácil leitura, o ensaio é uma crítica à sociedade patriarcal que inferioriza mulheres todos os dias, seja no mercado de trabalho, nas relações sociais e até na maneira como nos portamos e vestimos. Adichie é contundente ao apontar onde erramos enquanto civilização e nos convida à reflexão, ao conhecimento de um problema social que oprime, que mata. Acima de tudo, Chimamanda nos convida a melhorar.

A obra, importante, cada vez mais atual, além de ser de altíssima qualidade, ainda está disponível gratuitamente (eba!) no site da editora Companhia das Letras. Para finalizar este breve, porém necessário post, deixo vocês com a maravilhosa palestra de Adichie:

Avaliação: 5 estrelas

Sobre a autora: Nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e apareceu em inúmeras publicações, entre elas a New Yorker e a Granta. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Orange Prize e o National Book Critics Circle Award. Vive entre a Nigéria e os Estados Unidos.

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Carioca de nascimento e juiz-forana de todo o resto, Iracema Martins é jornalista por vocação, paixão e formação. Cresceu em uma casa cercada de livros, cultura, história e política, seus tópicos favoritos para conversas. Além de ser apaixonada por livros, assiste mais séries do que consegue acompanhar, não vive sem música e ama cinema.

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