Resenha: Isla e o Final Feliz – Stephanie Perkins

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A literatura young adult (YA), sem um termo literário específico por aqui, mas que pode ser explicada como aquelas obras que passeiam entre o infantojuvenil e o adulto, é alvo constante de críticas por parte do público que, ou não tem coragem de admitir que gosta do estilo, ou nunca leu sequer um título do gênero. O segmento é responsável por várias publicações interessantes e os romances mais fofos que eu já li, alguns até já resenhados por aqui.  E o melhor, os livros young adults são despretensiosos e, talvez, por isso, sejam tão encantadores.

“Isla e o Final Feliz” (Stephanie Perkins, 2014) é um ótimo exemplo da despretensão YA e da capacidade do gênero em criar personagens cativantes. Isla (se pronuncia AI-LA, não IS-LA, já que deriva de Island, ilha em inglês) faz o ensino médio em um internato em Paris, a School of America Paris (SOAP). Apesar de ser metade norte-americana e metade francesa, é na França que a família da garota decidiram que ela e as irmãs terminariam os estudos. Desde que chegou à SOAP, Isla se apaixonou instantaneamente por Josh, um garoto também americano, artista e tímido, mas que tem amigos e uma namorada incrível. Os dois são do mesmo ano e a Isla teve poucas interações com Josh, todas incrivelmente constrangedores. Até que no verão antes do último ano, Isla, sob o efeito de analgésicos pós extração dos sisos, dá de cara com Josh em um restaurante em Nova York, cidade natal dos dois.

Como passar vergonha é quase uma normalidade na vida de Isla, esse encontro é embaraçoso, mas ao mesmo tempo corajoso. Isla flerta com Josh que acaba deixando-a em casa. Na noite seguinte, ainda se sem lembrar muito do que aconteceu, a garota convence seu melhor amigo e também aluno da SOAP, Kurt, a acompanhá-la ao restaurante. Mas Josh não está lá e Isla só volta a encontrá-lo três meses depois, no retorno às aulas. Logos os dois se aproximam, se apaixonam e descobrem juntos que o primeiro amor verdadeiro é maravilhoso, te muda para sempre, mas também te faz pensar no futuro e nas dores que ele pode provocar.

Os personagens de Stephanie Perkins são tão carismáticos que você se sente parte daquele grupo, se sente amigo daquelas pessoas e divide com eles todos aqueles sentimentos de indecisão, medo e estranhamento que os últimos ano da adolescência representam. É impossível não se apaixonar pela Paris de Isla e Josh e por seus sentimentos tão fortes e verdadeiros. E mais dificil ainda não amar cada linha escrita por Perkins. São apaixonantes.

O que eu talvez mais gosto da literatura YA é que ela não tem medo de ser piegas, nem cafona, nem de proclamar o amor em sua forma mais absurda. Nem de fazer a gente sonhar mesmo quando a adolescência já ficou para trás há tempos. Os livros YA fazem o que a literatura tem de mais fantásticos: nos fazem sonhar.

Nota: 5/5

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