Resenha: Suzy e as Águas-Vivas – Ali Benjamin

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A morte é sempre um assunto complicado para quem continua vivo. Dentre os mistérios da vida, os motivos, razões e porquês do fim da existência de um ser amado é sempre uma questão que gera dores, tristezas e, por fim, aceitação. É a morte e os seus “porque as coisas simplesmente acontecem” que fazem de “Suzy e as Águas-Vivas” (Ali Benjamin, 2016), lançado em setembro pela Versus Editora, tão especial.

Suzy tem 12 anos e, alguns dias antes do final das férias e início do seu 7º ano na escola, sua melhor amiga, Franny, morre. Pior, Franny que sempre foi uma ótima nadadora, morre afogada. Sem entender como alguém que nadava tão bem se afogou, Suzy não aceita a explicação da mãe (“porque as coisas simplesmente acontecem”) e se envolve na sua tristeza, parando de falar e, consequentemente, de se relacionar com as outras pessoas.

Porém, em uma excursão escolar a um aquário, Suzy se atrai pelas águas-vivas e descobre uma informação curiosa: um dos venenos mais letais é a da espécie irukandji, encontrada na Austrália. Mas, a minúscula água-viva, também foi vista em outras regiões do mundo, inclusive no oceano Atlântico. Então a dúvida aparece: e se Franny não morreu apenas por ter se afogado e, sim, fora picada por irukandji e o veneno da água-viva fez com que a garota se afogasse?

Obcecada pela dúvida, Suzy começa a pesquisar, listar especialistas em águas-vivas e, inclusive, fazer o trabalho de Ciências sobre os animais. Enquanto lida com todas essas dúvidas e as lembranças da amizade com Franny, Suzy, afundada em solidão, descobre um novo mundo sem ao menos perceber tudo o que acontece ao seu redor.

Delicado, “Suzy e as Águas-Vivas”, finalista do National Book Awards, não tem faixa etária. Fala de morte, luto e aceitação para todas as faixas-etárias de forma simples. A narrativa de Ali Benjamin é cativante e deliciosamente envolvente. No fim, aprendemos com Suzy que, às vezes, quando alguém querido morre, somos sufocados por arrependimentos e medos, e não nos focamos no que fazia daquela pessoa tão especial. Ou porque éramos especiais para ela.

Nota: 4/5

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Carioca de nascimento e juiz-forana de todo o resto, Iracema Martins é jornalista por vocação, paixão e formação. Cresceu em uma casa cercada de livros, cultura, história e política, seus tópicos favoritos para conversas. Além de ser apaixonada por livros, assiste mais séries do que consegue acompanhar, não vive sem música e ama cinema.

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