Resenha: Wicked – Gregory Maguire

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Há muito tempo eu descobri o musical “Wicked”, uma das maiores bilheterias da Broadway e em cartaz desde 2003. Aliás, o espetáculo ganhou versão brasileira. Está em cartaz em São Paulo desde o início do ano. Não sabia que a peça havia sido inspirada em um livro e, com grande alegria, a Leya reeditou o título e eu o encontrei na Bienal de Juiz de Fora, em maio. E não foi fácil de ler.

“Wicked – A história não contada das Bruxas de Oz” (Gregory Maguire, 1995) funciona como um prelúdio de “O Mágico de Oz” (L. Frank Baum, 1900), antes da chegada de Dorothy e Totó e a viagem pela famosa estrada de tijolos amarelos acompanhada do Leão, do Homem de Lata e do Espantalho. Na obra de Maguire, somos apresentados a história de Elfaba, respondendo, anos mais tarde, pela alcunha de Bruxa Má do Oeste e sua jornada que levaram-na a ser a figura mais temida de Oz. A trajetória de Elfaba começa antes mesmo da garota verde nascer. Conhecemos Oz antes do mágico, a origem de Elfaba, chegando até seu primeiro contato com Galida – Glinda, a Bruxa Boa do Norte – na faculdade, Shiz. E é em Shiz que conhecemos personagens essenciais para o desenrolar de “Wicked”, entre eles Fyero e o Dr. Dillamond, o responsável pela narrativa política da obra, iniciando, assim, a mudança mais profunda em Elfaba.

Cheio de questões sociais, políticas e filosóficas, “Wicked”, o livro, é completamente diferente do musical. A produção da Broadway é alegre, colorida e muito positiva. A obra de Maguire é densa, pesada e sombria. Elfaba é uma personagem complexa, de várias nuances e questionamentos. As metáforas usadas pelo autor para conversar com o leitor sobre injustiças sociais e preconceito é bastante interessante. Mas, ao mesmo tempo que a história é densa, a leitura também o é. Como eu não sabia de fato a narrativa do livro, comecei a leitura com o musical em mente.

Não faça isso. Você vai se decepcionara e a leitura ficará muito difícil. O livro não é ruim, mas é pesado. Quem conhece a história de “O Mágico de Oz” vai ficar maravilhado com o mundo descrito por Maguire e toda a riqueza de personagens e locais, mas também vai perceber que dinâmica entre os personagens e o universo de Oz é bem diferente.

Avaliação: 3 estrelas

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Carioca de nascimento e juiz-forana de todo o resto, Iracema Martins é jornalista por vocação, paixão e formação. Cresceu em uma casa cercada de livros, cultura, história e política, seus tópicos favoritos para conversas. Além de ser apaixonada por livros, assiste mais séries do que consegue acompanhar, não vive sem música e ama cinema.

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