Resenha: O Sol é Para Todos – Harper Lee

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Se alguém lesse algumas páginas de “O Sol é Para Todos” (Harper Lee, 1960), talvez acharia que a história se passa nos dias de hoje. Não, o emblemático romance de Harper Lee, premiado com o Pulitzer de Literatura e considerado um dos melhores livros já escritos, se passa na década de 1930, em Maycomb, uma pequena cidade no estado do Alabama, Sul dos Estados Unidos.

A história é narrada pelos olhos da pequena Scout. Seu pai, Atticus Finch, é um advogado de prestígio em Maycomb. Viúvo, os filhos foram criadas pela negra Calpúrnia. Entre travessuras e aventuras pela vizinha acompanhada de seu irmão Jem e do amigo de verão, Dill, Scout assiste seu pai defender Tom Robinson, um jovem negro acusado de estupro. Nesse contexto, Scout, apesar de nova, é obrigada a aprender e a entender a crueldade do racismo, tão forte nos estados do Sul, historicamente escravagistas. Scout, ao mesmo tempo que é confrontada, pela primeira vez, com o preconceito escancarado e com as ameaças ao seu pai, tenta compreender o porquê de tanta intolerância com o Tom e com os negros.

A narrativa de Harper Lee é fluida e dinâmica. Parte pelo carisma de Scout e sua inocência ao enxergar a cidade e seus moradores. “O Sol é Para Todos” não é fácil de ler. Ele incomoda. A crueldade dos comentários dos moradores de Maycomb doem na alma, mas é um livro necessário. E todo mundo deveria lê-lo. Em tempos de Black Lives Matter e dos casos absurdos de assassinatos de negros pela polícia norte-americana, principalmente no Sul do país, nos lembram que nada difere 1930 de 2016. Os preconceitos continuam por aqui e o racismo é mais presente do que acreditamos, inclusive aqui no Brasil.

Atemporal, “O Sol é para Todos” nos lembra que o ser-humano, tão cheio de falhas e crueldades, ainda pode lutar pelo que acha certo. Em uma das passagens, ao ser questionado pelos filhos de o porquê defender Tom, Atticus dá a seguinte resposta: “Antes de poder viver com os outros, eu tenho de viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria”.

Assino embaixo, Atticus!

Avaliação: 5 estrelas.

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Carioca de nascimento e juiz-forana de todo o resto, Iracema Martins é jornalista por vocação, paixão e formação. Cresceu em uma casa cercada de livros, cultura, história e política, seus tópicos favoritos para conversas. Além de ser apaixonada por livros, assiste mais séries do que consegue acompanhar, não vive sem música e ama cinema.

1 COMENTÁRIO

  1. Olá! Esse livro é realmente maravilhoso. Li em 2016 e até agora nenhum outro livro que li o superou. É interessante ler também o outro livro que atribuem à Harper Lee, “Vá, coloque um vigia”. A leitura desse último dá um nó em nossa cabeça. Abraço!

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