Resenha: Menina Má – William March

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“Será a maldade uma semente que brota dentro de nós?”

Sinopse DarkSide: Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

Crítica: É possível que a maldade seja algo natural do ser humano, que nasce conosco? Essa é a grande questão discutida por William March em Menina Má. Estamos acostumados com uma ficção que sempre nos traz psicopatas e vilões adultos, motivados pelas mais diversas questões, mas com o denominador comum da faixa etária. Menina Má vai além, e talvez esse seja o ponto mais perturbador da história, ao centrar sua vilania numa meiga e adorável menina de oito anos de idade.

A história é apresentada pelo ponto de vista da mãe, Christine, e suas reflexões sobre o comportamento da filha ao longo de alguns acontecimentos, passados e do presente. A desconfiança de que a adorável Rhoda possa ser uma fria assassina vai sendo construída passo a passo de forma que nós, leitores, nos vemos envolvidos com as angústias da personagem e nos choquemos com uma realidade crua que o autor vai “jogando em nossa cara” de forma sutil, mas incisiva. O desfecho vai se apresentando de forma natural e acabamos sufocados pela conclusão de que a criança fofa de nossa família ou vizinho pode esconder muito por trás do lindo sorriso que nos oferece todos os dias.

Aos leitores que se aventurarem nessa obra, as situações, pensamentos e diálogos podem parecem um tanto quanto bobos demais. Mas lembrem-se, o livro foi escrito em 1954 e reflete bem a realidade daquela época. As cada vez mais amplas discussões sobre o comportamento da mente humana e os estudos de Freud certamente tiveram influência no processo de criação do autor, sendo mencionados em várias passagens. O mesmo vale para os sempre famosos casos de serial killers reais que assustavam a Europa e os Estados Unidos do século XX.

Por fim, William March construiu uma narrativa ágil e envolvente, e a tradução de Simone Campos fez jus a ela. Devoramos as páginas numa busca mórbida por mais choques, mais perturbações e, claro, para saber qual a atitude que o instinto materno vai tomar diante de tudo que é concluído ao longo da narrativa.

O Autor: William March nasceu em uma família pobre no Alabama, em 1893. Alistou-se na Marinha e combateu na Primeira Guerra Mundial, tendo recebido condecorações dos governos norteamericano e francês. Largou a farda logo após o conflito, e os horrores do confronto lhe inspiraram a escrever seu primeiro romance, Company K. Publicou seis romances e quatro compilações de contos. Morreu em 1954, um mês após o lançamento do seu livro mais celebrado, Menina Má.

Avaliação: 5 Estrelas

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